Som Alternativo

Producers – “Made in Basing Street” (The LAST Label, 2012)

11 de Setembro de 2012 Brand New Sem Comentários

Combinando todos os seus créditos, o talento destes veteranos da produção já vendeu para cima de 200 milhões de discos. Uma marca invejável e difícil de repetir para quem hoje aspire ser um produtor musical à séria e com uma carreira feita de êxito atrás de êxito.

No entanto e talvez por terem começado há muitos anos como músicos, este quarteto formado pelos britânicos Trevor Horn, Lol Creme, Ash Soan e Steve Lipson, nunca deixou de querer saltar dos comandos da mesa de mistura para o outro lado do vidro. Nasceu assim o projeto “Producers” (o nome diz tudo) para matar a fome de tocar em instrumentos reais.

O resultado é um disco chamado “Made in Basing Street” onde podemos ouvir não só uma produção de qualidade (ou santos da casa não fizessem realmente milagres) como uma escrita composicional muito acima da média. Para além disso há todo o fator da experiencia possuído por estes velhos ratos de estúdio, alguns deles com participações em algumas das mais importantes bandas da história. Por exemplo, Horn não só tocou com os Yes, como criou os Buggles com o imortal “Video Killed The Radio Star” antes de se dedicar aos experimentais Art of Noise cujo trabalho experimental serviu de referência para muito boa gente nos anos 80.

Com músicos assim, dificilmente a coisa poderia correr mal. Sem grandes timings ou pressões para o projeto ver a luz do dia (em disco), o grupo gravou calmamente ao longo dos últimos 6 anos os 10 temas que compõem “Basing street”. Pelo meio, ainda sobreviveram ao afastamento do quinto membro da banda, Chris Braide, teclista e vocalista de serviço que em 2009 abandonou o projeto por falta de tempo.

Ainda existem no Youtube alguns vídeos dele a atuar ao vivo, porém somos compensados pelas cordas vocais inapagáveis de Horn coadjuvada pelas de Creme que fazem a síntese perfeita entre a majestosidade sinfónica dos Yes, com a pop limpa dos 10CC. No entanto é a voz de Braide que escutamos como motor do tema de entrada “Freeway”, um autêntico hino de estrada, digna de configurar em qualquer lista das melhores canções pop/rock do Milénio. Há poucos hinos que respirem duma liberdade como esta.

A viagem continua ao som de “Waiting fo the Right Time”, uma canção mais bluesy e ao estilo de uns 10CC e o meditativo “Your Life”, cantado por Horn onde emergem algumas sombras da pop cristalina e inteligente dos Yes.  Mas muito melhor é “Every Single Night in Jamaica” uma canção adolescente cantada pelos olhos de um sénior. Já não se fazem canções assim. Se tivessem sido feitas há 30 anos tinham conquistado o mundo…

O resto disco tem algumas peripécias menos interessantes como “Man on the Moon” ou” Stay Elaine”, nmas não chegam para borrar a pintura. “Garden of Flowers” é uma excelente canção em qualquer década e em qualquer geração. “You & 1” é um regresso delicodoce à pop refinada dos anos 80, mas que curiosamente foi esquecida por aqueles que mais insistem em recordar com nostalgia essa década.

Para o presente ficam, os Producers. Um grupo de amigos que está aqui só para se divertir enquanto não bate à porta do estúdio a próxima pop star candidata aos seus 15 minutos de fama. Enquanto isso peguem no “QR code” estampado na capa do disco e descubram o que lá vai em Basing Street.

(8/10)

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