Há muito, muito tempo…numa galáxia musical…governada pelos dinossauros do rock, havia uma banda chamada Uriah Heep. O grupo praticava um rock que misturava a aspereza do hard com as megalomanias do rock sinfónico. Talvez por esse facto de nunca terem um som muito bem esclarecido, o grupo nunca chegou a obter o reconhecimento quer do público quer da crítica, como os seus pares Deep Purple ou Yes. 
No entanto, dizem os registos que no seu tempo eles venderam 40 milhões de discos. E muito do sucesso veio diretamente das canções compostas por este senhor, o teclista da banda e que esteve presente no período áureo do quinteto.
Após a abandonar os Uriah Heep em maio de 1980, (curiosamente a seguir a um concerto dado no velho e saudoso Dramático de Cascais), Hensley ainda chegou a integrar os sulistas Blackfoot, mas a meio da década 80 o músico abandonou por completo a sua carreira musical aceitando um lugar como consultor de uma empresa.
Hensley só largou a vida de escritório já no final da década de 90, quando formou os Visble Faith. Desde então nunca mais parou de editar e tocar ao vivo, embora 90% do core do seu público seja maioritariamente provindo da Europa de leste e na Escandinávia. Curiosamente lugares onde a sua ex-banda ainda goza de um enorme estatuto de popularidade.
Agora numa tentativa desesperada de ganhar maior protagonismo comercial este veterano heavy rocker aventura-se me território baladeiro com “Love & Other Mysteries”. Uma enorme lamechice pegada onde Hensley fazendo-se acompanhar por uma série de convidados (Irene Forniciari, Roberto Tiranti, Sarah Rope) vai desperdiçando o seu talento em canções que nem lembrariam ao rei da lamechice: Phil Collins.
Pior ainda é o facto do lendário Glenn Hughes, participar numa faixa como “Romance” fazendo um dueto com uma tal Santra Salkova. Uma salganhada pegada tipo aquelas do Andrea Bocelli e Sarah Brightman (ou quiçá do Kenny Rogers e Sheena Easton) que os hipermercados ou qualquer centro comercial de respeito passam sempre ao sábado à tarde.
Tudo muito mau e degradante para quem já foi considerado por Blackie Lawless dos WASP como o “inventor das teclas heavy metal”. Um dos piores registos do ano e para esquecer rapidamente.
(2/10)









