Thursday 25th April 2013,
Som Alternativo

Jack White – “Blunderbuss” (Third Man, XL Recordings)

André Sousa 27 de Agosto de 2012 Brand New, Jack White Sem Comentários

Sem White Stripes, sem Dead Weather, sem Raconteurs, o génio de Jack White apresenta-se pela primeira vez a solo numa obra em que ele junta as peças todas do seu próprio puzzle criativo. Um disco sólido de rock, de blues, de folk e com algum sabor a cajun e travo a Americana. 

White já se sabe que é um saltitão de projetos musicais, um nómada musical que gosta de viajar em muitas caravanas ao mesmo tempo. Desde que abandonou a sua “velha” Meg, Jacky tem andado mortinho por esticar ainda mais o seu spectrum musical. Com “Blunderbuss” tem aqui o seu soberbo momento algo que já não conseguia atingir desde “Icky Thump”.Para muitos 5 anos sem uma glória é pouco tempo. Para ele é uma eternidade sem ganhar o campeonato da indústria alternativa.

Aos 37 anos de idade, (embora ainda tenha traços) ele já não é o mesmo puto que pôs meio mundo (já lá vai uma década) a cantar “Seven Nation Army”. Agora, com largos anos de experiencia em cima, White sente-se feliz em fazer o que faz. Já não o faz para outros. Faz música para si e para o contentamento do seu ego.

Essa atitude de “estou-me a cagar” para o que pensam dele está patente em muitas das canções deste disco. Uma atitude corajosa que faz com que as canções estejam carregadas de emoção e que transparecem de uma liberdade que ele não dispõe quando está concentrado na sua miríade de outros projetos. Escute-se com atenção um grande tema rock chamado “Sixteen Saltines” ou um simples tema folk como “Love Interruption” para percebermos que o homem anda a surfar numa boa onda.

Com temas “Blunderbuss” ou “Hypocritical Kiss” aventura-se por terrenos musicais quase “art-rock” como nunca o ouvimos. Já “Trash Tongued Talker” ou “i´m Shakin” White troca as voltas ao rock n rol emprestando-lhe um cariz bluesy com alguns resquícios de soul. E o que dizer de “Hip (Eponymous) Poor Boy”, na qual parece que andou a ouvir a pop de Ray Davies.

White está em todas e não está em nenhuma direção em particular. Um tema esquizofrénico como o final “Take Me With You When You Go” é uma verdadeira salada de recordações do melhor pop rock dos anos 70.

Ao beber das fontes do passado, White passa no exame a solo com distinção. “Blunderbuss” é sem dúvida o disco mais inspirado que escreveu nos últimos anos. Um capítulo feliz na sua carreira que esperamos que seja repetido muito mais vezes.

(8/10)

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