Saturday 08th June 2013,
Som Alternativo

Hawkwind – “Onward” (Eastworld Recordings, 2012)

André Sousa 9 de Agosto de 2012 Brand New, Hawkwind Sem Comentários

Os Hawkwind podem não ser os pais do chamado “space rock” (essa honra cabe inteiramente para Syd Barrett e os seus Pink Floyd), mas certamente que foram e são a banda que levou ao extremo esse conceito de viagens musicais intergalácticas recheadas de momentos sónicos que alternam entre o terror abismal e a luz celestial. Tal e qual como devemos imaginar a imensidão do espaço sideral.

Com mais de 40 anos de carreira e com um álbum digno de entrar na lista dos melhores de sempre – “Space Ritual” (1973) – a banda liderada pelo guitarrista Dave Brock (o único membro constante em toda as navegações dos Hawkwind) regressa em 2012 para nos dar o vigésimo quinto disco de estúdio: “Onward”|!

E porque para a frente é o caminho…apesar de não ser de leitura fácil, este é sem dúvida um dos melhores trabalhos que o conjunto publicou nas últimas duas décadas. Com as participações de membros essenciais do passado da banda como o teclista Tim Blake (que outrora também tocou com os rivais Gong) e o guitarrista solo original, Huw Lloyd Langton, este “Onward” representa um regresso em força ao som que caracterizou os primeiros anos de glória destes “ hippies lunáticos” obcecados pelos limites para lá dos confins do nosso universo.

Com o pedal das guitarras quase sempre no volume máximo os Hawkwind ainda são capazes ao fim destes anos todos de meter umas guitarradas de fazer inveja a uns Queens of the Stone Age ou Monster Magnet (diretos afilhados do Stoner Rock). Aqui há pouco espaço para pausas, com eles é sempre a abrir. Aliás se pensarmos num conceito alargado as guitarras e a bateria quase monocórdica faria as delícias de qualquer participante de um festival de transe tal é o caracter hipnótico que rodeou sempre as suas músicas. A atestar este espirito livre de composição em direção ao tal abismo de emoções espaciais temos: “Seasons”, “The Hills Have Ears”,”Death Trap”, “Aero Space Age” ou “Computer Cowards”.

Do lado mais celestial do Sol aparecem coisas mais “chill out”como o folky “Mind Cut” ou os instrumentais ”Southern Cross”, “The Drive By” e “The Flowering of the Rose. Os adeptos de rock progressivo certamente que irão aprovar.

Para o final, mais um hino ao rock especial. A canção com um dos títulos mais simples da história: “.”. Isso mesmo, um pontinho no meio e com aspas de lado se faz favor. Diz tudo sobre a visão deles e não diz nada. Fica ao vosso critério: imaginar.

(8/10)

 

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