Enquanto estiveram juntos sob a capa dos Dead Can Dance, Bredan Perry e Lisa Gerrard assinaram alguns dos melhores momentos da pop erudita mesclada com as raízes étnicas da World Music. Misturando sintetizadores talhados para recriar ambientes soturnos com ritmos africanos, cantos gregorianos, a mitologia folk celta e onde cabiam também alguns mantras da música oriental, o duo Australiano, foi o expoente daquilo que se pode chamar de “World Fusion New Age”. Ou algumas cabeças mais entendidas houve quem os catalogasse de um estilo chamado: “dream pop”.
Para outros, eles nunca tiveram uma orientação definida agradando a um público que ia desde os amantes da world, passando pelos simples apreciadores da pop arquitetónica e cerebral de um David Sylvian tocando até em muitos pontos a cultura gótica emergente nos anos 80.
Desde 1996, com “Spiritchaser” que os DCD andavam adormecidos. Perry dedicou-se a uma carreira a solo low profile onde explorou os meandros da pop alternativa carregada de guitarras. Quanto a Gerrad, continuou a guiar-se pelas pegadas deixadas pela pop etérea do legado dos DCD e dos Cocteau Twins, esticando-a a até outras áreas como a ópera oua colaboração em bandas-sonoras de filmes como o excelente “Whalerider”.
No entanto, sem muito alarido o grupo voltou a tocar ao vivo em 2011 e editou um EP, “Live Happenings – Part 1” deixando pistas para um possível regresso ao estúdio. Algo que se concretizou em pleno coma edição deste “Anastasis”, o termo grego para “Ressurreição”.
Foi como se não tivessem passado 15 anos desde que seguiram cada um o seu caminho. A voz de Perry continua incisiva como sempre, qual monge possuído pela rigidez da vida monacal. Fraser, embora mais velha, está igual a si própria vai espalhando a sua magia de sereia com voz encantada
Apesar dessa longa pausa, é correto afirmar que” Anastasis” é uma progressão lógica dos álbuns da banda editados entre 81 e 96. Eles não trazem nada de novo, antes pelo contrário eles retomam normalmente o seu percurso musical. Simplesmente imperturbáveis.
A canção de abertura, o ritualista “Children of the Sun”, tanto poderia ter pertencido a “The Serpent´s Egg” ou inserido em “Into the Labyrinth”. É mesma mística, a mesma pose, os mesmos cúmplices. “Anastasis” é um disco congelado no tempo, sem ser nostálgico ou chato. O misticismo que marca o som dos DCD transforma cada música numa força sonora palpável, numa chamada para um lugar mágico quase inalcançável.
Destaque (sempre) para as capacidades vocais de Gerrard, que aos 51 anos continua com uma frescura delicodoce e cada vez mais aventureira. Escutem-na em “Anabasis” acompanhado por sons que mais parecem vindo diretamente de uma orquestra turca ou “Agape” que mais parece talhado para ser a banda sonora de algum conto “das mil e uma noites”.
À medida que vamos navegando por canções a dentro com o “Kiko”, “Opium” ou “Amnesia” são como uma espécie de preparação para as duas canções finais e certamente as mais fortes. Primeiro impacto com “Return of the She-King” cantada por Perry com uma fineza e elegância difíceis de explicar por palavras. Depois com toda a pujança de Gerrard em “All in a Good Time”. Afinal os DCD não se limitam a esforçarem-se para ficarem cristalizados pela máquina do tempo. Estes eternos sonhadores da pop ainda voam alto.
(9/10)














Gostaria de agradecer pela resenha.
A volta do DCD ficou fora da mídia e apenas pouquíssimos blogs se ligaram.
Hoje em dia, a gente tem acesso ao tudo, mas a mídia oculta esse tudo de nós.
Obrigado por me revelar o novo DCD.
Trabalho impecavel, arranjos ultra melodiosos e ricos. Vida aos Dead can Dance !!!