Instigados pelo produtor Nick Raskulinecz a escreverem a continuação do épico “2112”, a melhor banda de rock, metal progressivo alguma vez saída do Canadá resistiu à tentação e não caiu na armadilha de fazerem uma sequela de um dos seus discos mais conhecidos. Antes pelo contrário, os Rush apesar de serem uma banda de rock clássico não são uma banda que vive de saudosismos ou nostalgias.
Podemos mesmo apontar o dedo (de caras) ao grande responsável por esta constante renovação temática (e também por alguma influencia indireta: sonora) na figura desse grande músico chamado: Neil Peart. Não só é um dos melhores bateristas vivos, ele é também o poeta da banda, o motor que leva os Rush para caminhos para temáticas interessantes e menos óbvias. Sem ele, a banda nunca seria capaz de fazer deste novo “Clockwork Angels”, uma novela com caracter quase literário.
Não sendo assumidamente um disco conceptual, vislumbramos que existe uma ligação temática entre as 12 canções que compõem o disco. Nomeadamente a demanda de um jovem que luta pelos seus sonhos apanhado no meio de uma luta entre as forças da anarquia e da ordem à medida que vai descobrindo cidades imaginárias povoadas por personagens estranhas e bizarras. Todas elas escravas do poder maléfico do “Senhor do Tempo”.
Lá no fundo, Peart não foge muito à temática das obras de ficção científica Ayn Rand cuja influência se fez sentir em obras do passado como “2112” e “ Caress of Steel”. Porém, ninguém se importa muito com essa repetição esquemática de ideias. No final de contas o que conta é a música e pode-se dizer sem grandes pestanejos que o trio originário de Toronto têm aqui o seu melhor disco desde “Test for Echo”, de 1996.
Com Geddy Lee e Alex Lifeson em plena forma criativa, “Clockwork Angels” beneficia claramente do fato de ter demorado quase dois anos a gravar. Sem pressas, sem pressões e com um alto nível de musicalidade conquistado na última digressão “Time Machine” na qual tocaram pela primeira vez para as novas gerações o clássico “Moving Pictures”. De uma ponta à outra.
Com esta destreza e capacidade de elevar a química entre eles, os Rush fazem de “Caravan” uma das melhores músicas do seu longo catálogo de canções. Um verdadeiro tour-de-force do poder deste trio que alia a sapiência de escrever uma grande canção com o virtuosismo que lhe é inerente. Um clássico dos tempos modernos e que a par do exótico “Bu2b”, foram dados a conhecer ao público durante a digressão de 2011 de “Time Machine”.
Nota-se bem que o grupo está cada vez mais interessado em explorar sonicamente a alternância entre a luz e a sombra. As melodias sensíveis e os riff pesados sucedem-se numa sucessão de revezamento que dão um sentido muito forte às músicas. Um feeling muito mais psicadélico, bluesy, mais heavy e sem dúvida muito interessante de descobrir. Bons exemplos são o tema título, “The Anarchist”, “Carnies”, “The Wreckers” ou “Halo Effect”.
Para o lado mais pesado e progressivo estão reservadas “Seven Cities of Gold” e a excelente “Headlong Flight”. Esta última, com lugar de destaque no pódio de canções mais significativas do disco. Para o bronze, fica o tema final, a acústica “The Garden”. Um final de saga eloquente para as ambições literárias de Neil Peart.
Com este registo, os Rush já levam 19 discos de estúdio, 9 registos ao vivo, de 44 anos de carreira disseminados em mais de 40 milhões de discos vendidos. Impõe-se assim a inevitável questão. Alguém se importa de acordar para a vida e traze-los a Portugal de uma vez por todas se faz favor?
(8/10)














Vazou por agora o Ian Gillan and Tony Iommi – WhoCares (2012)
Como é Deep Purple e Black Sabbath, penso que gostaria de dar uma escutada.
Eu achei muito bom.
Deve estar muito bom de certeza. Vamos ouvir!
Muito obrigado pela dica
Esse disco do Rush tá bom mesmo.
Acho que estão precisando retomar conexão com fans mais jovens e resolveram fazer algo mais descomplicado, menos megalomaníaco e mais vivo. A banda ficou tão chata quanto o Dream Theather: pura técnica. Quem ainda aguentava aquelas introduções enormes e entediantes deles?
Galera das antiga que voltou e tão muito bons são o Killing Joke e o The Cult.
http://en.wikipedia.org/wiki/MMXII_(album)
http://en.wikipedia.org/wiki/Choice_of_Weapon