Este é um guest post escrito por Vanessa Rola.

Último dia de Optimus Alive e dia de enchente. Os bilhetes diários tinham, já há muito, esgotado (assim como os passes de 3 dias) e a procura de bilhetes no mercado paralelo era elevada.
Segundo a organização, estiveram presentes no recinto nesse dia 55 mil pessoas e, cerca das 19h30, quando os Kooks subiram ao Palco Optimus, isso já se sentia. Uma multidão concentrava-se já naquele espaço, dançando ao som das músicas leves e com sabor a Verão da banda de Brighton.
A esta hora era também já complicado circular pelo recinto mas, um pouco mais adiante, tocavam os Maccabees, que traziam na bagagem três álbuns e que conquistaram a plateia com o seu rock melódico mas energético, de onde se destacaram as guitarras e a voz de Orlando Weeks.
Em frente ao Palco Heineken, ao mesmo tempo, no coreto vintage do Cais Sodré Cabaret, dançava-se rock como nos anos 50 e fazia-se tempo.
De facto, a sensação que se tinha neste terceiro dia de festival era que, ainda que houvesse bons concertos a acontecer, tudo não passava de um grande compasso de espera.
Vítima desta impaciência foi também Caribou, projecto do canadiano Dan Snaith, a quem calhou as honras de tocar no palco principal. Acompanhado por três músicos, guitarra, teclas e bateria, Snaith focou-se no seu mais recente disco “Swim”, tocando numa disposição invulgar num palco de grandes dimensões como o Palco Optimus, com os quatro elementos concentrados no centro e virados uns para os outros.
Ainda que a sonoridade electrónica de Caribou seja de grande interesse, e que tivesse havido este esforço de recriar alguma intimidade num espaço aberto e ao ar livre, a fraca qualidade do som acabou por trair e comprometer a qualidade do espectáculo.
A juntar a isto esteve ainda o facto de Caribou ter tido a tarefa ingrata de entreter as hostes antes da banda mais esperada do Optimus Alive 2012. Sim, os responsáveis pela lotação esgotada daquele dia e pela ansiedade que se sentia no ar, os Radiohead.
É preciso fazer um parêntesis para dizer que a última vez que os Radiohead tinham tocado em Portugal, nos Coliseus de Lisboa e Porto, foi em 2002 e que desde aí até agora editaram três álbuns. Para além disto, são uma banda de culto do público português já há várias décadas, têm fama (e proveito) de dar concertos memoráveis e, como se não bastasse, vinham com a promessa de apresentar ao vivo um espectáculo de palco único.
Perante esta extensa lista de argumentos, parece-nos que a impaciência dos festivaleiros era mais do que justificada.
Às 22h30 em ponto todos os palcos do recinto pararam para que os Radiohead subissem ao palco principal, sem distracções ou misturas de sons, e arrancassem com “Bloom”, tema que abre o seu último disco e que foi tocado na sua maioria, “King of Limbs”.
O resto do alinhamento foi composto por uma mistura equilibrada de temas de “In Rainbows”, como “15 step” e “Reckoner”, de “Hail To The Thief”, caso de “There There”, de “Amnesiac”, de onde uma das retiradas foi “I might be wrong”, e de “Kid A”, com uma versão brilhante de “Idioteque” que contrasta com a do registo e mostra o que os Radiohead são hoje, uma banda rock muito mais dada às subtilezas da electrónica.
Como não poderia deixar de ser, houve também apontamentos de “OK Computer”, com uma inevitável passagem por “Paranoid Android” e uma absolutamente inesperada interpretação de “Climbing Up The Walls”, e, por fim, de “The Bends”, de onde foi retirado o tema que fechou a noite em beleza “Street Spirit (Fade Out)”.
Olhando agora para as 23 músicas do alinhamento, aquilo que salta mais à vista e que terá talvez sido a chave do sucesso da actuação dos Radiohead foi o facto de não terem cedido a facilitismos e terem sabido ordenar os temas com mestria. A sequência “Pyramid Song”, “I Might Be Wrong”, “Climbing Up the Walls”, “Nude, Exit Music (for a Film)”, “Lotus Flower”, “There There” é demonstrativa disso.
Quanto ao desempenho da banda vemo-nos incapacitados de encontrar algum aspecto negativo. Phil Selway continua, de forma discreta, a marcar a cadência, Johnny Greenwood continua a fazer maravilhas nas guitarras e teclas, em contraponto com o seu irmão Colin no baixo, Ed O’Brien continua a ser uma peça fundamental na guitarra e nas vozes que contrastam com a do vocalista e Thom Yorke, bem Yorke continua a ocupar todo o espaço restante e a hipnotizar com a sua prestação de palco, agora talvez um pouco mais solta que há dez anos atrás.
Ainda que os Radiohead não sejam exactamente uma banda de festival e a sua música acabar por, inevitavelmente, perder algo nesse tipo de ambiente, quer o alinhamento, quer a postura do grupo em palco souberam tirar o melhor da situação e criar momentos de beleza rara, como a ocasião em que “Pyramid Song” provocou o silêncio e fluiu por todo o recinto, enquanto gaivotas sobrevoavam o palco.
Citando Thom Yorke, dez anos é realmente muito tempo. Temos verdadeiramente esperança que a próxima espera não seja tão longa e que o regresso dos Radiohead seja em nome próprio.
Encerrado o Palco Optimus, com o final da actuação da banda de Oxford, a alternativa óbvia seria o Palco Heineken onde actuava SBTRKT, uma agradável surpresa dubstep dançável, liderada por Aaron Jerome, mas que viu o prémio da melhor prestação daquele dia no Palco Heineken ir para a banda que se seguiu, os Kills.
É difícil descrever o que se passou naquele palco, tal foi a intensidade das músicas (para a qual contribuiu a presença de quatro percussionistas, que acompanharam Alison Mosshart e Jamie Hince) e o namoro entre o público e a banda.
Os Kills não decepcionaram, brindando os presentes com “No Wow”, “Fried My Little Brains” e “Heart is a Beating Drum” e o público respondeu à chamada com salvas de palmas eufóricas, gritos e interrupções efusivas durante as músicas que deixaram Mosshart e Hince boquiabertos mas muito satisfeitos.
Curiosamente, o destaque vai para um momento menos explosivo mas com uma carga arrebatadora, que levou a plateia à rendição, “The Last Goodbye”.
Os últimos cartuchos do Festival Optimus Alive eram queimados pelos Metronomy, que confessaram estar com receio de não ter ninguém a assistir, dado o adiantado da hora, e foram surpreendidos por uma pequena multidão.
Na verdade, quem esperou para ver a banda de “The English Riviera” não deu o seu tempo por perdido, pois teve a oportunidade de terminar o festival em ambiente de festa e dançando ao som de temas como “The Bay” e “Heartbreaker”, que ao vivo funcionam na perfeição e, às 4h da manhã, funcionam como um excelente estimulante.
Setlist Radiohead:
Bloom
15 Step
Morning Mr. Magpie
Staircase
Weird Fishes/Arpeggi
The Gloaming
Separator
Pyramid Song
I Might Be Wrong
Climbing Up the Walls
Nude
Exit Music (for a Film)
Lotus Flower
(with “Sun” Intro)
There There
Feral
Bodysnatchers
Encore:
Give Up the Ghost
Reckoner
Lucky
Paranoid Android
Everything In Its Right Place
(with “The One I Love” intro)
Idioteque
Encore 2:
Street Spirit (Fade Out)












