Friday 07th June 2013,
Som Alternativo

Reportagem: Festival Optimus Alive 2012 – 13 de Julho

Vanessa Rola 16 de Julho de 2012 Notícias, Optimus Alive, Reportagens Sem Comentários

Este é um guest post escrito por Vanessa Rola.

Justice no Optimus Alive 2012

O Optimus Alive é um dos pesos pesados dos festivais de Verão nacionais. Seja pela gigantesca infraestrutura que todos os anos é montada no Passeio Marítimo de Algés, seja pelos nomes que geralmente compõem o cartaz e arrastam multidões.

Às primeiras horas do festival a confusão era já muita, com festivaleiros a caminhar em fila para o recinto e, no caso dos passes, a trocar o bilhete pela famosa pulseira.

Ainda que este ano, ao contrário do que aconteceu em edições anteriores, a pulseira fosse trocada já dentro do recinto e que existissem múltiplos pontos de troca da pulseira espalhados pelo espaço, houve quem não se livrasse de uma espera de mais de 1h para conseguir ter no pulso o livre acesso pelo festival.

Mas vamos ao que interessa, a música. Os concertos começaram cedo mas quase pode dizer-se que o verdadeiro aquecimento, para uma noite que acabou por ser de dança, foi feito ao som do projecto Logo, que actuou no Palco Clubbing em formato live. Electrónica, com batida cadente e viciante, mas uma sonoridade fresca, foi o que este duo francês apresentou ao público, que aos poucos ia chegando.

Momentos depois, no Palco Heineken tocavam os MIUDA, de Tiago Bettencourt e Mel do Monte, que subiu ao palco de t-shirt laranja e calções curtos, que lhe davam um ar verdadeiramente de… miúda. Com a sua voz doce e postura descontraída, Mel interpretou os temas da banda e conversou com o público, fazendo com que a sua simpatia quase compensasse algumas notas mais desafinadas.

Ainda que a plateia aplaudisse os MIUDA, sentia-se já alguma expectativa no ar e era notório que a faixa etária dos presentes era bastante baixa. A explicação para isso era óbvia, dali a alguns minutos subiriam ao palco os LMFAO.

Repetentes nos palcos portugueses, os americanos voltaram a trazer consigo confetis, palmeiras insufláveis, projecções alucinantes e bailarinos em palco com coreografias provocantes. E o público, parte dele equipado a rigor com óculos de sol e roupas fluorescentes, respondeu à chamada sem pestanejar, ocupando todo o espaço da tenda do Palco Heineken e estendendo-se à zona de restauração adjacente.

Para além dos seus êxitos, como “Party Rock Anthem” e “Sexy and I know It” houve ainda uma incursão por “Boom Boom Pow” dos Black Eyed Peas e “Gettin’ Over” de David Guetta e, perante tal overdose visual, não deixa de nos vir à cabeça a ideia bizarra de os LMFAO, ainda que com um género musical radicalmente diferente, serem uma espécie de descendentes bastardos da escola dos Flaming Lips. Só faltou a bolha gigante.

Enquanto que a criançada ia ao delírio com LMFAO, tocava no Palco Clubbing Gesaffelstein. Não há sucessos de rádio, refrões orelhudos e batidas fáceis mas o som techno deste francês, que actuou de cigarro no canto da boca, em pose desafiante, batia aos pontos o dos LMFAO. Já para não falar dos Snow Patrol que, no Palco Optimus, davam um concerto morno.

O público foi aproximando-se de Gesaffelstein e quando a este se sucedeu Busy P já a tenda do Palco Clubbing estava bem composta.

Busy P é o alter ego de Pedro Winter, o homem que descobriu os Daft Punk e os Justice, cérebro por trás da editora Ed Banger, e no seu set percebeu-se não só o tremendo bom gosto musical, como o óptimo sentido de oportunidade que tem.

Arrancou com Justice, que revisitou várias vezes, passou por Daft Punk, Rapture e serviu de óptimo aperitivo para o concerto do duo de D.A.N.C.E, que dali a umas horas passaria por outro palco.

Ao mesmo tempo, no Palco Optimus, tocavam os veteranos Stone Roses, na sua muito anunciada reunião. A expectativa era muita, em primeiro lugar porque se tratava de uma banda mítica da cena de Madchester, depois porque seria a primeira vez que o grupo se juntava para tocar em muitos anos.

O concerto começou com “I Wanna Be Adored”, um dos mais emblemáticos temas da banda, mas ao fim de poucos minutos o pior confirmava-se. Os Stone Roses de 2012 pouco ou nada têm a ver com os de antigamente e Ian Brown, ainda que tenha dado um concerto razoável na edição do ano passado no Super Bock Super Rock, revelou-se instável em palco e com pouca capacidade de cantar de forma afinada.

Se há reuniões que são bem-vindas e ultrapassam o desafio do tempo, mostrando que continuam em forma e capazes de dar um bom espectáculo, infelizmente os Stone Roses não são uma delas.

Perante a primeira desilusão do festival, rumou-se até ao Palco Heineken para ver os Buraka Som Sistema, que serviram de antídoto na perfeição. A energia vinda do palco foi contagiante do início ao fim, a entrega (da banda e do público) foi total e no fim ficava uma certeza: os Buraka mereciam um lugar no palco principal e, claramente, teriam feito um excelente trabalho.

Uma e pouco da manhã e iniciava-se a concentração junto ao Palco Optimus. A cruz já visível em palco denunciava os senhores que se seguiam, os cabeças de cartaz daquele dia, os Justice.

Era a primeira vez que os franceses vinham a Portugal em formato live e, perante o que aconteceu em palco durante cerca de uma hora, só havia duas reacções possíveis, amar-se ou odiar-se. Inclinamo-nos, sem dúvida, para a primeira.

As músicas foram apresentadas de forma inteligente, como se de um set se tratasse, lançando teasers no meio dos temas e fazendo colagens entre canções. A batida é algo poderoso capaz de fazer estremecer o chão e, para rematar, há um espectáculo verdadeiramente único, proporcionado pelas luzes e por uma cortina de leds pendurada no fundo do palco.

Quanto ao alinhamento, baseou-se numa mistura bem doseada do primeiro álbum, “Cross”, de onde foram retirados “Genesis”, “Stress” e “D.A.N.C.E”, com temas do segundo disco, “Audio, Video, Disco”, como “Newlands” e “On’n’On”. Claro que não podia faltar “We Are Your Friends”, “roubado” aos Simian, que fez o público entoar a letra em coro, e o esmagador “Phantom pt. II”.

Acabado o concerto dos Justice haveria mais música pelo recinto fora mas, perante tal prestação, a opção foi de dar a noite por encerrada e recarregar energias para o dia seguinte.

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