Lixo. São toneladas de lixo que se vislumbram por todo o recinto às 3 da manhã. No palco principal, os veteranos The Cure acabaram de tocar “Killing an Arab”, o último tema de um concerto lendário e que durou as prometidas 3 horas que Robert Smith anunciou há algumas semanas atrás.
A edição 2012 do Optimus Alive está a ser um estrondoso sucesso crítico e comercial. Hoje há Radiohead, a banda esperada por muitos. Mas arrisco-me a dizer que a banda de Thom Yorke vai ter de “suar a estopinhas” para superar o concerto dos conterrâneos The Cure. Foram nada mais, nada menos que 36 os temas que agraciaram as colunas do (agora) famoso Passeio Marítimo de Algés. Nesta altura do campeonato, concertos desta imponência já quase que não se dão.
Era meia-noite em ponto e em cima do palco os cinco veteranos arrancam com a melodiosa “Plainsong”, uma das seis canções do clássico “Disintegration”. O disco mais revisitado da noite. Seguem-se da mesma fase “Pictures of You”, “Lullaby” e um muito aclamado “Lovesong”. Pelo meio os emblemáticos “Just Like Heaven” e “In Between Days”. A plateia do Alive está ao rubro. Parecia que Smith e companhia iriam abrir o livro a caminho do concerto dos greatest hits. Enganaram bem as 40 mil pessoas presentes.
Não iria ser apenas um concerto de êxitos. Era um concerto para os fãs (acérrimos) que desde há mais de três décadas fazem do fenómeno The Cure um caso muito sério de culto em Portugal. La vieram “High”, “The End of the World”, “Mint Car”, “From the Edge of the Deep Green Sea” e “Want” para gáudio de poucos mais atentos e desgraça dos muitos que tanto furaram para a frente na tentativa de chegaram o mais perto possível do palco principal. O concerto parecia esmorecer a olhos vistos com temas como “Trust”, “Want”, “The Hungry Ghost” ou” Sleep When I´m Dead”. Estas duas últimas do mais recente disco de estúdio do quinteto “4:13” e recebidas com alguma indiferença.
Às duas da manhã, o povo só queria mesmo os clássicos. Smith fez-lhes a vontade e acordou-os ao som da pop “Friday I´m in Love”, do gótico “A Forest” ou de “Disisntigration”. Só a partir daqui é que “abriram o livro”.“The Lovecats”, “Close to Me”, “Why Can´t I Be You” e“Boys Don´t Cry” fizeram do Alive uma festa dos anos 80 em tamanho gigante.
Agora sim, o desgrenhado Smith tinha os todos pela palma da mão. “10.15 Saturday Night” e um inesperado “Killing na Arab” arrasaram a concorrência. Destaque também para o segundo guitarrista, o senhor Reeves Gabrels, músico por excelência e que durante muitos anos acompanhou Bowie nas suas megas digressões. Quanto a Jason Cooper (bateria), Simon O Donell (teclado) e Simon Gallup (Baixo) cumpriram bem a sua missão. São eficazes em carregar o som dos The Cure às costas para Smith perder-se nos seus devaneios líricos e musicais.
Cumprida a missão dos The Cure, foi hora da grande debandada. Ficou o lixo para atestar a grande enchente de um sábado estranhamente frio para Julho. Menção ainda para o concerto dos Mumford & Sons (que fizeram algum esforço para trazer a folk travestida de pop ao festival) e Tricky que do pouco que escutamos deu as habituais provas de ser um animal de palco. Quanto aos Awolnation são maus de maus com o seu rock para americano absorver. Relativamente aos Morcheeba deram um concerto morno, ingrato, incapaz de fazer esquecer a grande ausente da noite: Florence + The Machine.
Mas nem isso chegou para beliscar um festival em pleno estado de graça.


















Excelente artigo… Muitos Parabéns ao seu autor! Sou fã acérrima dos The Cure e este artigo traduz muito bem o que senti ontem ao ver o concerto que já ansiava desde dezembro… Robert Smith soube gerir muito bem o público que o estava a ver.. a banda mostrou mais uma vez o valor que tem..