Friday 07th June 2013,
Som Alternativo

Joe Bonamassa – “Driving Toward the Daylight” (Provogue, 2012)

Além de ser um dos músicos “Top” do momento, o norte-americano Joe Bonamassa continua imperturbável no seu caminho para se afirmar cada vez mais como uma espécie de Eric Clapton do século XXI. Com mais de uma década de carreira, o ainda relativamente jovemhá muito que passou a concorrência direta (Johnny Lang ou Kenny Wayne Sheppard) e ameaça agora morder os calcanhares a essa espécie de “alter-ego Pop”, o campeão de vendas: John Mayer.

Guiado por um dos produtores mais experientes da área rock – Kevin Shirley – Bonamssa soma e segue triunfos tanto a solo como com o seu projeto paralelo, o supergrupo Black Country Communion, que no final deste ano promete mais um capítulo de estúdio. Por enquanto, “little” Joe ataca com o seu décimo primeiro longa duração:” Driving Towards Daylight”. Um disco que não foge um centímetro da rota que tem sido a sua carreira a solo. Muito rock, muito blues, alguma boa dose de pretensiosismo solista e algumas canções que irão agradar aos fãs do rock clássico na sua vertente mais “bluesiana”

Contando com alguns convidados de luxo como Brad Whitford (Aerosmith), Jimmy Barnes Cold Chiesel), Pat Thrall (Hughes & Thrall) ou Anton Fig (Kiss), “DTTD” é um disco sólido mas que tem o infortúnio de contar apenas com dois originais de Bonamassa (o inaugural “Dislocated Boy” e o mais comercial “Driving Toward the Daylight”). O resto é tudo versões.

No entanto, e não querendo desprestigiar a falta de tempo para compor um disco repleto de temas próprios, Bonamssa tem a capacidade de pegar num tema desconhecido como “Stones in My Passway” de Robert Johnson (o mesmo que segundo reza a lenda, vendeu a alma ao diabo na encruzilhada) e dar-lhe um cariz mais pop. Ao mesmo tempo esculpe o tema de modo a encaixar-lhe uma secção rítmica que mais parece saída de um tema qualquer dos Led Zeppelin de “Physical Graffitti”.

Que se saiba Bonamassa não vendeu a alma, mas continua no encalce dos heróis pioneiros dos blues como Howlin Wolf (cuja voz roufenha é recuperada para a intro de “Who´s Been Talking) e Willie Dixon com “I Got All You Need”. Mas sem dúvida que mais interessante que os standards na escolha do reportório é “A Place in My Heart” de Bernie Marsden. Para quem não sabe, o guitarrista inglês foi um dos braços direitos de David Coverdale noa anos dourados dos blues dos Whitesnake (1978 – 1982). Sem dúvidas o tema mais emocional deste lote de canções.

Para o lado mais roqueiro das coisas, estão reservadas as pesadas “Lonely Town, Lonely Street” e “Somewhere Trouble Don´t Go”. Mais parece que Bonamassa andou a ouvir as obras recentes dos Lynyrd Skynyrd. Já no fecho das hostilidades, “Too Much Ain´t Enough No Love” na companhia do vocalista australiano Jimmy Barnes dá um toque de fim de festa ao disco que embora não sendo dos melhores que Bonamassa já tocou, também não desilude. O homem, contínua absolutamente imparável.

(7/10)

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