Som Alternativo

Rock in Rio Lisboa 2012: Reportagem do Dia 4 (2 de junho)

Texto de Martim Araujo Jorge

4º dia de Rock in Rio, e desde logo, uma enorme expectativa estampada no rostos do que se dirigiam para a Bela Vista. Se no dia anterior, grande parte do público era composta por crianças e jovens, no dia 2 de Junho era uma geração (ou duas…) completamente distinta a que ansiava por regressar (pelo menos em memórias) aos 70 e 80. Brian Adams e Stevie Wonder eram os pratos fortes do Palco Mundo, mas havia mais para ver…e algumas boas surpresas estavam para chegar.

E foi às 19 horas em ponto, que os Gift subiram ao palco e tiveram desde logo o condão de levantar os milhares de espectadores, que sentados em frente ao Palco Principal, quase que rezavam a todos os anjinhos para que a chuva não voltasse. A banda de Alcobaça era daquelas que quando apareceu, prometia muito e desde logo surgiram grandes elogios e óptimas criticas ao seu album de estreia…mas a verdade é que depois dessa estreia, dificilmente conseguiriam superar as expectativas e a barra, que estava colocada a um nivel bastante alto…mas adiante! Que são uma boa banda, com músicos muitissimo competentes isso ninguém discute…e que a Sónia Tavares tem uma voz muito fora do vulgar também não se pode contrariar…mas a sensação que (me) dá é que falta ali uma qualquer chama. Mas ainda assim o concerto foi de qualidade e o público que foi afluindo ao palco principal respondeu com palmas e coros nas musicas mais afamadas (“Fácil de entender” é um bom exemplo)…! Pelo meio, a vocalista mostrou-se muito feliz por regressar so palcos depois da gravidez, e aproveitou o ‘tempo de antena’ para apelar à ajuda para a ‘Casa do Gil’. Para além do já referido “Fácil de entender”, do alinhamento fizeram parte temas como “Driving”, “Made 4 you”, “OK” ou “The singles”, tendo ficado para o fim “Primavera” e “musica”, tema que voltou a contar com a colaboração do público. Mas não passou muito disto…sem deslumbrar ou aquecer em demasia, também não se pode dizer que tenha sido fraco…foi uma boa forma de entreter a malta que ali estava e que aguardava os pratos fortes deste quarto dia de Rock in Rio!!!

Por esta altura o sol já brilhava nos céus da Bela Vista, e muita gente já sorria de satisfação só por isso…tudo bem a preceito para receber Joss Stone, a próxima convidada do dia. E o que dizer de Joss Stone? Doce, doce, doce…chegava para descrever o concerto desta jovem britãnica muito bem disposta e sempre com um sorriso estampado no rosto enquanto cantava!! Mas há mais claro…há mais, porque para além da beleza fisica, a mulher tem um vozeirão que impressiona tudo e todos: muito soul, muito swing e uma ligação e empatia com o público fazem um concerto que talvez só tenha mesmo pecado por curto…mas são as contingências do alinhamento, e como a seguir vinham os pesos pesados do dia, uma hora era mais ou menos o tempo em palco que lhe estava destinado…! Mas impressiona…impressiona a simplicidade com que parece cantar e no entanto a força que tem naquelas cordas vocais: às vezes mais parece uma cantora negra do soul…se fecharmos os olhos será provavelmente isso que acontece!! Mas claro…com ela em palco, não parece que alguém vá deixar de olhar para a mulher (que ja agora, é muito bonita mesmo!). Muito simpática, cativou todos os presentes (por esta altura já se antevia com grande grau de certeza que esta ia ser mais uma noite de casa cheia) e meio envergonhada, quase que pediu desculpa por ter de se ir embora: por vontade da malta e da própria, o concerto teria sem dúvida mais tempo…para o encore (que não chegou a ser já que ela nem sequer saiu do palco!) ficou guardado um dos seus temas mais conhecidos (“Right to be Wrong”) ao qual a Bela Vista respondeu de forma a encerrar em beleza mais uma excelente actuação neste seu regresso a portugal e ao Rock in Rio…
Ela canta muito…é hipnotizante…e pronto!! Óptimo concerto…volte sempre que a malta agradece, desde que venha com esta leveza, sorriso e simpatia contagiantes…!! É que pelo menos durante uma hora, esqueceu-se a crise e Portugal ficou menos triste…e isso é o que interessa!!!

Por esta hora, já o recinto começava a ficar lotado e pairava no ar uma atmosfera a anos 80…Bryan Adams, um dos ícones do rock da década de 80 estava de regresso a portugal e grande parte dos presentes estava na Bela Vista por ele e para ele…e pode dizer-se desde já que de forma alguma o Canadiano desiludiu. Alinhamento previsto para perto de duas horas que teve uma entrada a todo o gás com vários êxitos que toda a gente conhece…com excepção de algumas almas mais novinhas que não ouvem rádio e so conhecem o que a MTV lhes mete em casa, pelo que a esses muita coisa deste concerto lhes passou completamente ao lado…azar! Os outros (mais de 90% dos presentes) os tais que estavam lá por causa de Bryan Adams, recordaram as décadas de 80 e 90…para muitos fase da plena adolescência: fase em que ainda parece viver o próprio Bryan Adams…isto na cabeca, porque os seus mais de 50 anos e as rugazinhas que já tem na cara não enganam ninguém!!!! ”House Arrest”, “Somebody”, “Here I Am” ou “Can´t Stop” não deixaram quase ninguém quieto e “18 till i die” mostrou uma vez mais que Bryan Adams continua um eterno jovem de espirito e isso contagiou o público que já tinha recebido bastante, mas queria mais…e o rockeiro não se negou a esforços e carregou mais uma dose valente de Rock com “Back to You” e o eterno “Summer of 69” (não fosse estarmos ao ar livre e parecia que estávamos num qualquer ‘Plateau’ ou ‘Rockline’). Do alinhamento de um concerto de Bryan Adams têm obrigatoriamente que fazer parte as baladas lamechas como “Everything i do”, capazes de pôr qualquer ‘jovem’ de 30 ou 40 anos a pensar nos seus anos de adolescência. Pelo meio, o homem lançou um desafio a uma espectadora de subir ao palco e cantar um tema (“When You’re gone”): não fosse a jovem que subiu ao palco ser cantora ‘profissional’ e ex-concorrente de vários programas de televisão e até parecia que aquilo tinha sido mesmo espontâneo (muita gente pensou que aquilo não estava mesmo nada combinado…), mas pronto: foi giro, engraçado, a malta gostou e a míuda (Vanessa Silva de seu nome) deu-se bem até porque canta que se farta. O tempo não pára e com isto já não faltava assim tanto, e sempre ladeado por um conjunto de músicos de grande nível acelerou até ao final ao som de “Run to You” que voltou a levar o povo ao completo delírio. Mas ainda não era tudo…e depois de apresentar os músicos e de fazer as respectivas vénias de agradecimento aos mais de 70 mil que vibravam no anfiteatro natural, Bryan Adams agarrou na guitarra, e a solo brindou os espectadores com um encore a solo versão acústico: “Straight From the Heart” e “All for love”, com o público a responder ao seu apelo e a levantar os teleóveis no ar, criando dessa forma um efeito visual espectacular. E pronto…Quase 2 horas depois de ter entrado em palco, Bryan Adams estava de saída do nosso País: foi bom? Foi sim senhor…um óptimo concerto de Rock ao melhor estilo! A malta gostou e provou uma vez mais que os clássicos não se deixam ultrapassar pelo tempo e ele demonstrou taambém que continua eternamente ‘jovem’ e com a voz impecavelmente cuidada. Excelente concerto!

Para o fim, estava guardada uma das actuação mais esperadas da noite e até de todo o festival: é que depois de muitas promessas adiadas, Stevie Wonder estava finalmente em Portugal. Mas se os fâs tinham esperado tanto tempo para o receber, não seria por mais uma hora que iam desesperar…mas houve quem chegasse a esse ponto: é que entre o final do concerto de Bryan Adams e o inicio do de Stevie Wonder, passou-se mais de hora e meia…e por entre alguma falta de paciência e uma certa irritação lançaram-se alguns assobios: o homem nunca mais chegava. Por volta da uma da manhã, ele lá entrou em palco e aos 62 anos, demonstrou que é uma das maiores lendas vivas do nosso tempo, e com grandes solos de teclados e um espirito vivo e muito cool foi levando a água ao seu moinho. Apesar da sua enorme qualidade como músico (e do nome que é…), por esta altura, já havia muita gente que circulava na Bela Vista à procura de outras atracções e até de outras paragens (a saída era uma delas…), dando o claro sinal que em termos de bilheteira, o grande vencedor foi mesmo Bryan Adams. Espectáculo aberto ao som de “How Sweet it is to be loved by you” e primeiros ‘sweets’ lançados por Stevie Wonder, e adiante a introdução de “Garota de Ipanema” foi o primeiro momento alto da noite. Mas foi sem dúvida ‘Master Blaster’ um dos temas mais conhecidos a ser mais bem recebido pelo público do Rock in Rio que se juntou ao cantor para levar a música bem alto. Durante o espectáculo, Stevie Wonder deitou-se no chão, solou a seu belo prazer a fez demoradas e quase intermináveis Jams com a restante banda (14 elementos em palco…que nível!!!!), disse que amava toda a gente e fez o seu próprio espectáculo. Mas como alguns companheiros que assistiam ao concerto foram comentando, este era um espectaculo ideial mas para assistir num contexto diferente…num pavilhão ou num casino, por exemplo!!! Apesar de ter sido bom, não houve espaço para grandes euforias ou cantorias…um contraste tremendo em relação ao que se viveu nas horas que antecederam a subida de Stevie Wonder ao palco mundo… Mas a verdade é que o homem é sem duvida um dos maiores artistas do nosso tempo e fez o seu concerto na onda dele e quem o quisesse acompanhar tinha boleia garantida…
Muito funk, groove e uma onda muito cool com muito amor para dar e vender…mas com o passar do tempo e com o decorrer das músicas (algumas pareciam mesmo não ter fim), notava-se um desinteresse cada vez maior por parte de muitos dos espectadores (ainda) presentes em relação ao que se passava no Palco Mundo. Stevie Wonder lá foi curtindo o seu concerto, falando bastante com o público e sempre com uma boa disposição de se lhe tirar o chapéu…e deixou apenas e só os super “I Just called” e “Superstition” para o final: assim os que se aguentaram até ao final (e ainda assim foram muitos) saíram de sorriso no rosto e evidentemente satisfeitos.
Garantidamente um enorme músico, mas sem dúvida alguma completamente desenquadrado do espaço e do contexto deste festival…fica mesmo para poder contar aos filhos e aos netos que um dia se assistiu a um concerto desse grande nome da musica mundial que dá pelo nome de Stevie Wonder. E para a organização do Rock in Rio, ficou mais uma vez uma noite ganha e a caixa registadora bem recheada!!!

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2 Comentrios

  1. Paula_Almeida 4 de Junho de 2012 at 13:40

    Não houve espaço para cantorias? O senhor pôs toda a gente a cantar do princípio ao fim, quer a malta quisesse ou não (e não me estou a queixar), e foi até surpreendente ver que muita gente sabia cantar o reportório todo. O texto até está bom, pelo amor da santa, corrijam os erros ortográficos…

    • Filipe Balbino 4 de Junho de 2012 at 20:01

      Olá Paula,

      Muito obrigado pelo seu comentário!

      No que diz respeito à ortografia, pela forma que escreve parece que o texto está carregado de erros. Detectei alguns (muito poucos mesmo) erros no texto e já os corrigi… mas tenho 110% certeza que foi pura distracção devido ao cansaço. É que o Som Alternativo é um projecto não profissional, cujos elementos fazem os possíveis e impossíveis para publicar as mais recentes noticias do mundo da música todos os dias. Isto significa obviamente escassas horas de sono.

      Na minha opinião, o Martim fez um excelente trabalho nas reportagens do Rock In Rio Lisboa 2012. E aqui deixo-lhe o meu agradecimento pessoal pela dedicação.

      Espero que continue a acompanhar o Som Alternativo, e qualquer crítica que tenha ou sugestão, não hesite em contactar-nos (via http://www.som-alternativo.com/formulario-de-contacto/).

      Cumprimentos,
      Filipe Balbino

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