Saturday 08th June 2013,
Som Alternativo

Artista do Mês: Pink Floyd – 3º Capitulo

André Sousa 19 de Junho de 2012 Artista do Mês, Pink Floyd, Rubricas Sem Comentários

Após a saída de Syd Barrett, em Abril de 1968, os Pink Floyd iniciavam um período de auto descoberta e divagação sónica, rumo a novas paragens musicais. O primeiro projecto pós-Syd apareceu sob a forma de banda-sonora do filme “More”, realizado pelo francês Barbet Schroeder.
A variedade musical do álbum torna-o um dos mais aventureiros trabalhos do grupo que ainda  surpreende quem o ousa escutar. Existem canções perto do Heavy Metal, como “Ibiza Bar” ou “The Nile Song”. Há espaço para temas mais acústicos e delicados como “Crying Song” ou “Green is The Colour”. E também cabem alguns desvaneios espaciais como o delirante “Cirrus Minor” e a pseudo “Moody Blues” em “Cymbaline”. Cadências de acordes menores associados á voz adocicada de David Gilmour (que canta todos os temas) produzem uma melancolia impossível de escapar.

Sete meses depois surge, “Ummagumma”, expressão do calão britânico para “sexo”. Um álbum duplo dividido num  registo ao vivo e noutro de estúdio.

Comparado com algumas edições posteriores e com a qualidade sonora a que o grupo nos habituou, “Ummagumma” não passa de um exercício menos conseguido na carreira dos Floyd, não conseguindo disfarçar as deficiências e limitações técnicas da tecnologia da época. Por exemplo, a versão de “Astronomy Domine” tem um som bastante baixo, a bateria é mofa, os teclados parece que não têm força para levitar a canção, já para não falar das vocalizações de David Gilmour, quase inaudiveis.
Ao ficarem desapontados com o produto final, “os senhores da quadrofonia” passaram a dedicar  muito mais  tempo às técnicas sonoras, tanto em estúdio como ao vivo. A partir deste capítulo, o nome Pink Floyd seria sempre sinónimo do topo da ultra alquimia sónica.

No que respeita ao disco de estúdio, o som já não é tão mau, mas tirando o pastoral “Grantchester Meadows” assinado por Roger Waters e a trilogia de guitarradas de David Gilmour em “Narrow Way”, o disco não é dos melhores do quarteto.
A pomposidade de Richard Wright, em “Sysyphus” e a cacofonia inaudível de Nick Mason em “Grand Vizier´s Garden Party” são meras experiências de estúdio, que nunca deveriam ter visto a luz do dia. Mas o pior esta reservado para o tema com o título mais comprido da obra dos Floyd : “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict. Uma obra de pura alucinação mental criada por Roger Waters com insectos, ratos, e um discurso em gaélico á mistura.

No meio disto tudo estranhas peripécias, fica-se mesmo com a sensação de que o melhor do disco é: a capa!
Geração de 1969:
1 – Cymbaline (Roger Waters)

2 – The Nile Song (Roger Waters)

3 – Cirrus Minor (Roger Waters)

4 – Green is the Colour (Roger Waters)

5 – The Narrow Way (David Gilmour)

6 – Grantchester Meadows (Rogeer Waters)

7 – Biding My Time (Roger Waters)

8 – Careful With Axe Eugene (David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters, Richard Wright)

9 –  Country Song (David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters, Richard Wright)

10 – Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving (Roger Waters)

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