Saturday 08th June 2013,
Som Alternativo

Rock in Rio Lisboa 2012: Reportagem do Dia 2 (26 de maio)

Martim Araújo Jorge 27 de Maio de 2012 Notícias, Reportagens, Rock in Rio Lisboa Sem Comentários

Texto de Martim Araújo Jorge

Segundo dia de Rock In Rio, e desde logo algumas notas que mostravam uma enorme diferença em relação ao dia de estreia: primeiro que tudo, e em vez do preto como cor dominante, neste segundo capítulo havia uma paleta com uma variedade de cores que tornava tudo bem mais alegre; em segundo, a média de idades era substancialmente mais baixa, sobretudo nas primeiras horas, já que a banda dedicada aos “velhos” nascidos nos anos 70 e inicio de 80 só chegaria no final da noite; em terceiro…uma presença feminina muito mais acentuada, e acima de tudo, muito mais gente! Uma imensidão de pessoas aglomerava-se junto à entrada principal por volta das 17 horas, e que fazia antever uma longa espera no pára-arranca apeado, passando pelas diversas barreiras de revista até se conseguir pôr um pé que fosse dentro do Parque da bela Vista…segundo alguns relatos, gente houve que esteve mais de uma hora para entrar no recinto! E depois lá dentro..filas para tudo: ele era fila para o Multibanco, fila para as barracas de comes e bebes, filas para o Merchandising, filas para as diversões, ofertas e outros brindes, e uma fila, essa gigante, com largas dezenas de metros de largura que se amontoava em frente ao palco Mundo…as festividades, estavam perto de começar…

Foi então às 19h00 que os Limp Bizkit apareceram à multidão (que por esta hora já seria bem superior à que uma vez mais prestou autêntica vassalagem aos Metallica na noite anterior), que desde logo se entregou às mãos do mestre de cerimónias Fred Durst. O homem com o seu habitual boné bem enterrado na cabeça, teve o público da Bela Vista na mão e fez o que quis dele (mesmo dizendo palavrões a torto e a direito): levantava os braços e ia tudo atrás, saltava e o povo saltava, gritava e todos o imitavam, e chegou inclusivamente a trepar pela estrutura em frente ao palco e ainda brindou de lá a multidão: até pode não ser dono de uma portentosa voz, mas lá que ele é sem dúvida um dos grande “frontmen” da actualidade, isso ninguém lhe pode tirar. Ladeado por um Wes Borland que cada dia enverga umas máscaras estranhíssimas e que de Guitarra em punho, desfilou um sem número de acordes e riffs plenos de distorção e décibeis altíssimos, um excelente Sam Rivers e o seu espectáculo individual com um baixo de 5 cordas (!!!), um pequeno mas enorme John Otto na bateria e um ‘mortífero’ Dj. Lethal nos samples e teclado. E basicamente, em 50 e poucos minutos, a banda americana partiu a loiça toda e não deixou nada de pé. “My Generation” (estranhamente apropriada…), “Living it Up”, My Way”, “Break Stuff” e “Take a Look Around” entre outras foram levantando o pó em frente ao Palco Mundo. “Behind Blue Eyes” acalmou as hostes, mas apenas por breves minutos. A actuação estava a chegar ao fim, e Fred Durst achava que ainda havia algo mais para partir…então desfilou “Nookie” e terminou ao som de “Rollin” com a multidão aos saltos…o que a juntar ao gesto de condução que o homem fazia no palco e que foi prontamente imitado, se pode tornar deveras perigoso! Melhor maneira de começar um dia de Rock In Rio deve ser dificil de pedir… no fim Durst abençoou Lisboa e Portugal e disse que este tinha sido “um dos melhores dias da História recente dos Limp Bizkit”: acredito…plenamente de acordo!!

Primeira dose…mas ainda muito estaria para vir! Oportunidade para muitos, de reviver alguns momentos de uma juventude há muito perdida, pois os Offspring eram os próximos a subir ao palco Mundo. De um concerto da banda Californiana liderada pelo eterno jovem radical Dexter Holland, só se podem esperar faixas curtas (à média de 3 minutos por musica), cada uma com 3 acordes, bateria feroz e ultra-rápida e refrões bem orelhudos e viciantes: é assim o Punk-Rock e dele não se pode esperar muito mais. Quem gosta de grandes variações, alternações de ritmo ou mega solos de guitarra, esqueça: bateu na porta errada. Mas por esta altura, parecia já náo caber muito mais gente na Bela Vista tal era a multidão que se extendia quase até á zona da Tenda Vip, e os milhares estavam hávidos por ouvir alguns dos clássicos dos Offspring. E pode dizer-se que ninguém saiu defraudado porque Holland e os seus pares trataram de puxar do cardápio mais clássico da banda e com poucas paragens desfilaram “Gonna Go far kid”, “All I Want”, “Come Out and Play” ou “Original Prankster” que foram fazendo as delicias dos presentes e lançando uma vez mais, uma bem irritante e muito incómoda nuvem de pó na Cidade do Rock. Os inevitáveis “Get a Job” (aqui acredito que muitos dos espectadores gostassem de responder a Holland…!!!), “Americana”, o divertido e animado “Pretty Fly” e ainda “The Kids aren’t alright” deram por encerrado o concerto!! Deram? Será que os Offspring podiam ter saído da Bela Vista sem tocar o eterno “Self Esteem”? Poder, até podiam…só que não era a mesma coisa! Regressaram então ao palco e tocaram a música que todos queriam, e que todos cantaram em uníssono, deixarando a multidão em completo delírio e totalmente satisfeita. Dupla satisfação, para aqueles que ainda se recordam dos Offspring do tempo das K7 ou dos CDs comprados na Strauss ou na Valentim de Carvalho…viva os anos 90.

Saudosismos à parte não demorou muito a que regressássemos aos tempos modernos…um dos concertos mais esperados da noite estava a chegar: os Linkin Park regressavam ao Rock In Rio com a promessa de incendiar o festival. A banda de Chester Bennington e Mike Shinoda é também afamada pelas suas prestações ao vivo com muita energia e diversos elementos cénicos…uma vez mais e para não estragar o andamento do dia, ninguém ficou deslidudido. Com um alinhamento que revisitava toda a carreira, os Linkin Park deram um concerto fortíssimo, sempre com o acompanhamento dos 83 mil espectadores que nesta altura não só preenchiam o recinto como se aglomeravam na tentativa de ver o que quer fosse do Palco Mundo. “A Place for My Head”, “Given Up”, “Faint”, “With you”, “Runnaway” e “From The Inside” elevaram a fasquia , obrigando a banda da Califórnia a trabalhos redobrados para manter o nível. E pode dizer-se que a prova foi claramente superada…! Impressionante é a energia de Chester Bennington: o homem corre, canta e berra como se não houvesse amanhã (numa entrevista há uns anos, ele disse ter receio de um dia perder a voz e de não saber até quando ia conseguir gritar assim…esperemos que esse dia nunca chegue), e interage com o Público, chegando mesmo a cantar em cima dos espectadores que se encontravam nas filas da frente (por esta altura alguém do público lhe colocou um caxecol do Futebol Clube do Porto aos ombros a que correspondeu uma monumental assobiadela por parte da matula…Chester – segundo rezam as crónicas, terá dito “Não faço ideia o que isto é, mas assobiam-me e por isso…” pumba, lá foi o dito caxecol para o chão – vez do público aplaudir de forma ruidosa. Mas nem tudo nos Linkin Park se resume a Bennington…Mike Shinoda está sempre ao seu lado, e com guitarra, piano ou agarrado ao micro e a dar uns laivos de Hip-Hop, leva a música dos Linkin Park para um patamar bem diferente. Se os clássicos estiveram presentes (“Numb”, “Breaking the Habbit”, “Crawling” ou “in The End”), alguns temas do futuro novo trabalho da banda foram igualmente incluídos no alinhamento e com boa aceitação por parte do público que até acompanhou partes, demonstrando já bom conhecimento de causa (“Lies Greed Misery” e “Burn it Down”).

A fechar uma actuação arrebatadora e que certamente não deixou ninguém indiferente, e porque estávamos certamente no final, apareceu “One step Closer” curiosamente o primeiro single da banda. Pouco mais há a dizer…se a perfeição não existe, os Linkin Park estiveram certamente lá perto.

Por esta hora colocavam-se algumas questões: não seriam os Linkin Park dignos de liderar o cartaz do dia? O que teria, Billy Corgan de fazer para estar à altura do que atrás tinha sido feito no Palco Mundo? A verdade é que assim que os Linkin Park abandonaram o palco principal deste Rock in Rio, muitos dos espectadores presentes decidiram rumar a outras paragens: alguns à procura de um local para descansar, outros à procura de comida e bebida, de uma casa de banho, de outras atracções, e outros (em número considerável) à procura do caminho de casa: um quase completo anti-climax para um dia quase perfeito.

Mas Billy Corgan, com toda a sua experiência não se deixaria afectar, e afinal de contas nem todas as bandas se podem dar ao luxo de encerrar o palco principal de um Festival com a dimensão do Rock In Rio…até porque, apesar de muitos terem decidido rumar a outras paragens eram ainda várias dezenas de milhar, os espectadores que se mantiveram firmes para receber a banda de Chicago responsável por álbuns incontornáveis do Rock dos anos 90 como “Siamese Dream” ou “Mellon Collie and the Infinite Sadness”. Mas a carreira dos Pumpkins fica claramente marcada pela presença de Corgan que mais do que guitarrista, vocalista e compositor, é practicamente o dono da banda. Foram várias as mudanças de formação, sendo que o baterista Jimmi Chamberlin, entrou e saíu várias vezes (muitas vezes relacionado com o consumo de drogas). Estamos agora em 2012, e os miticos James lha e a intrigante D’arcy já há muito que abandonaram os mesmos palcos do líder. Foi então com uma banda composta por nomes e caras que, a quem acompanhava os Pumpkins nos seus tempos áureos pouco ou nada dizem, mas onde o baixo continua entregue a uma senhora (será fetiche?!) chamada Ginger Reyes, que Corgan regressou ao nosso País.

E pronto…competentes q.b., mas sem deslumbrar, os Pumpkins queimaram logo 3 dos seus maiores êxitos de rajada: “Zero”, “Bullet With butteflry Wings” e “Today”. O cansaço era notório um pouco por quase todo o espaço da Bela Vista, e enquanto a banda americana ia cumprindo o seu serviço, muita gente ia já circulando pelo recinto ou procurando um espaço confortável para se poder sentar e assistir calmamente ao concerto…mas um pormenor: mesmo quando o interesse demonstrado não era a ‘Top’, lá se iam trauteando as melodias ou acompanhando os refrões da músicas que saíam das colunas. É que “Tonight”, “Ava Adore” ou “1979” são daquelas malhas incontornáveis e só podemos mesmo agradecer a Billy Corgan e a quem o foi acompanhando que tenha tido a feliz ideia de um dia as criar. ”Disarm” abriu o encore de uma actuação que encheu as medidas de muitos, satisfez uns quantos e passou ao lado de outros tantos.

Feliz, feliz, ficou certamente a organização do Rock in Rio, que depois de um dia a meio gás (42 mil pessoas), nesta segunda etapa registou a primeira enchente (83 mil espectadores). Agora é tempo de arrumar a casa e deixar o pó assentar…é que a Ivete Sangalo chega já no dia 1 de Junho e promete levantar novamente a poeira.

Like this Article? Share it!

About The Author

Deixa-nos a Tua Opiniao