Friday 07th June 2013,
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Rock in Rio Lisboa 2012: Reportagem do Dia 1 (25 de maio)

Martim Araújo Jorge 26 de Maio de 2012 Notícias, Reportagens, Rock in Rio Lisboa Sem Comentários

Texto de Martim Araújo Jorge

Ano par, ano de Rock In Rio e ano de revolução no Parque da Bela Vista. É assim desde 2004, e este Festival (que tem muito mais do que música!) já faz parte, até dos calendários internacionais…a ver pela quantidade de bandeiras, línguas e idiomas ouvidos neste dia de estreia em 2012. Dia de estreia esse, marcado pelo sons mais pesados da música, muitos fãs de cabelo comprido, calças pretas, botas da tropa, pulseiras com bicos e outros artefactos típicos dos metaleiros…mas mais do que tudo, viam-se muitos fãs de Metallica ou não fosse a banda de São Francisco uma verdadeira instituição do Heavy Metal e um autêntico cliente com direito a “cartão da casa” deste Rock in Rio…

Mas antes de mais, convém avisar (até para os menos atentos e que ainda venham à Bela Vista nos próximos dias) que vir à cidade do Rock e não fazer o devido estudo e planeamento daquilo que se pretende ver, é um erro tremendo: o mais certo é andar num corropio de um lado para o outro e a saltitar de palco em palco até não se conseguir ver nada por completo. Pois bem…como a vida se faz de escolhas, no Menu deste primeiro dia, decidi incuir em primeiro lugar a actuação dos Ramp com Teratron no Palco Sunset e há que dizer que o tempo foi dado por muito bem empregue. Os Ramp andam já há tantos anos nestas lides que parece que nada do que façam, saia mal… e neste primeiro dia de Rock in Rio a expectativa era saber como iria resultar esta espécie de dueto (mais ou menos) improvável com os Teratron, que é o novo projecto da dupla João Nobre e Pedro Quaresma (Da Weasel). Perante uma muito bem composta plateia, os Ramp entraram a todo o gás e em 4 faixas apenas mostraram porque são uma das grandes bandas do Metal que se faz neste nosso país. Foi ao som do clássico ‘Black Tie’ que se começou a dar a mistura com as duas bandas em palco em simultaneo fazendo-se então a passagem para os Teratron ‘a solo’. Não que tenha sido uma má actuação, muito pelo contrário, mas o som industrial deste quinteto (que trouxe ‘As cobaias’, o seu segundo trabalho baseado numa história criada por Adolfo Luxúria Canibal), afastou muitos dos metaleiros que por lá se encontravam…até porque os Sepultura se preparavam para abrir as hostilidades no Palco Mundo. Ao Som de ‘Firestarter’ dos Prodigy, aqui baptizada de ‘Professor Labareda’ (!!!!), os Ramp regressaram ao palco para a recta final deste excelente concerto, que terminou ao som de “Hallelujah” e com Rui Duarte a ‘espalhar a palavra do Senhor’. Palavras das bandas…”o nosso objectivo era arriscar”: pois bem…arriscaram e ganharam!

Dito isto, e depois deste excelente inicio de tarde, o próximo prato era servido no palco principal de onde os Sepultura já tinham saído, e onde se encontravam alguns (poucos!) milhares de espectadores! Por esta altura começava a arriscar-se um fracasso de bilheteira neste primeiro dia…mas o factor Metallica pesa muito e as coisas ainda se iriam equilibrar. Pois bem, foi já perto do pôr do Sol que os Mastodon subiram a este palco, e confesso que havia algum interesse em vêr o quarteto de Atlanta e que tinha em “The Hunter” o seu último álbum de estúdio a base deste concerto. E há que dizer que os Mastodon não desiludiram com uma actuação sem falhas, e com muita energia que durou cerca de uma hora. Muitos riffs pesados, batidas rápidas e fortes, refrões orelhudos e quatro elementos em que todos têm a sua vez ‘na fila’ para vestirem a pela de vocalista da banda. “Black Tongue”, “Dry Bone”, “Stargasm”, “Spectrelight” ou “Curl Of The Burl” foram alguns dos temas trazidos ao Rock in Rio pelos Mastodon que não desiludiram ninguém, mas que tocaram para uma plateia ainda muito despida de gente…Troy Sanders, Brent Hinds, Bill Kelliher e Bran Dailor mereciam talvez mais público…quiçá, uma posição mais adiantada no cartaz! Mas como não se pode ter tudo, estes 4 homens deram o que tinham e ninguém pode alegar o contrário…!! Nota muito elevada…

Depois de Sepultura e Mastodon, vinham os Evanescence…e uma pessoa mais atenta, pergunta-se? “Ora bem, Sepultura, Mastodon, Metallica…claro, Evanescence; faz todo o sentido”, pois bem…mas não faz! Até fará muito pouco sentido incluir uma banda como os Evanescence num cartaz destes…mas a organização do Rock In Rio lá saberá o que faz e a banda de Amy Lee subiu ao palco para aquilo a que se poderá chamar de actuação ‘morninha’, bem a condizer com a temperatura que baixava drásticamente depois de uma tarde em que o Sol se faz notar. Amy Lee que em 2004 teve uma prestação vocal no minimo sofrível até se terá portado bem, mas o povo (que por esta altura começava a preencher o anfi-teatro da Bela Vista) não estava para ali virado e queria era os Metallica no palco. Ainda que não tenham sequer tocado o já gasto e bem irritante ‘My Immortal’, os Evanescence saíram de cena sem deixar grande saudade: pelo menos tiveram o condão de cortar um bocado a corrente ao público que pôde assim descansar, e guardar energias para o que ainda estava para vir.

E que concerto. Ao fim de 30 anos de carreira, os senhores que encerraram o primeiro dia deste Rock in Rio continuam quase como se eles próprios tivessem 30 anos…mas bem mais saúdáveis e afastados de alguns dos perigos e loucuras do estrelato do Rock and Roll. E para perceber melhor a actuação dos Metallica de ontem, é preciso recuar 21 anos…mais do que a idade de muitos dos que estiveram na Bela Vista. É que foi em 1991 que o famoso “Black Album” conheceu a luz do dia, tornando-se desde logo num símbolo da banda e num marco incontornável da música tal a velocidade com que ia saíndo das prateleiras das lojas, um pouco por todo o mundo, tendo também o condão de lançar a banda de Hettfield e Ulrich para o “mainstream” e e alargar a sua legião de fãs em muitos milhões (e respecticas contas bancárias também, claro). Já se sabia então, que esta era uma tournée dedicada e esse disco, e que o mesmo iria ser tocado de principio a fim ‘non-stop’…e assim foi! Foram cerca de 2 horas de espectáculo (é o termo certo..mais do que concerto, foi um espectáculo), que para além do prato forte do set list ainda incluiu mais 8 temas no menú!! Como habitual desde há muito, quando de “Exctasy of Gold” começou a soar na Bela Vista, a plateia já muito bem composta (números circulam em redor dos 45 mil, o que tendo em conta a crise e a frequência com que os Metallica vêm ao nosso país, não é nada mau!) ergueu os braços e recebeu de peito aberto o quarteto americano que (literalmente!) partiu a loiça toda com uma entrada servida ao som de ‘Hit The Lights’ e ‘Master Of Puppets’ acompanhada com os coros do público que já estava rendido. Seguiu-se “Fuel” (talvez o tema mais acarinhado da fase ‘Load’ e ‘Reload’), “For Whom the Bell Tolls” e “From Hell and Back”, um tema retirado de um EP pós-‘Death Magnetic’.

Aqui, entrámos num mundo novo…uma dimensão paralela. Os Metallica tocaram na integra o seu afamado álbum…de trás para a frente, ou seja…”Enter Sandman” fechou a viagem que teve o seu inicio em “The Struggle Within”. E se este concerto teve o condão de trazer de volta aos palcos alguns temas que nem sempre são incluidos nos alinhamentos, trouxe ainda outros que muitos nunca tinham ouvido em qualquer concerto destes gigantes do Metal! “My Friend Of Misery” (com os coros em harmonia, descritos por Hetfield como os maiores de sempre), “The God That Failed”, Of Wolf And Man”, “Nothing Else Matters” (com ‘n’ insqueiros no ar), “Through the never”, “Don’t tread on me”, e os super “Wherever I May Roam”, “The Unforgiven”, “Holier Than Thou”, “Sad but True” e finalmente “Enter Sandman”, foi assim: espectáculo…mas não era tudo! Palmas, agradecimentos, vénias e despedidas…mas eles voltaram, e voltaram uma vez mais em força com “Fight Fire With Fire” com muitas labaredas a saírem de pontos estratégicos do palco, seguindo-se o clássico “One” com a habitual sessão de pirotécnia e muitas explosões ‘on-stage’ a que se seguiu ainda o invitável “Seek and Destroy”. Resultado? Mais uma batalha ganha, e esta sem grandes dificuldades já que a multuidão (os tais cerca de 45 mil) nunca deram muita luta e entregaram-se desde o primeiro segundo, sem sequer levantar a bandeira branca da rendição. James Hetfield estava numa forma como há muito não via (impecável aquela voz), Lars Ulrich apesar de já praticamente não ter cabelo nenhum, continua a parecer uma espécie de coelhinho duracel com energia para dar e vender, Kirk Hammett andou a espalhar magia de guitarra na mão, e Rob Trujillo mesmo menos expansivo do que é habitual desfez as cordas do baixo e ainda brindou o público com alguns passos de danças tribais que são já uma imagem de marca.

Em suma…por muitas vezes que os Metallica venham a Portugal, o povo gosta e a banda gosta. E desta vez gostaram todos e muito…gostou a organização que conseguiu uma boa caixa, gostou o público que foi brindado com uma magnífica actuação e gostou a banda que uma vez mais se sentiu em casa. Aliás…Hetfield fez questão de dizer mais do que chamar ao público português, como a “Família Metallica”. Fica tudo em casa e assim fica tudo bem! Voltem sempre!!

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