Som Alternativo

Entrevista do Som Alternativo aos So Many Wizards

Texto de Nuno André Silva.

So Many Wizards

Contribuindo com dois fabulosos EPs para o mundo musical, já ditam as suas passadas. So Many Wizards foi elaborado como projecto a solo mas acabou por se tornar cada vez mais complexo até chegarmos a este fabuloso grupo, que se tem tido como uma das bandas que não tem parado de escalar neste dificil mundo. Os californianos trazem de volta a pop que marcou os radiantes anos 50 e 60 e faixas como “Lose Your Mind” fizeram os nossos corações e ouvidos renderem-se a esta mágica banda. Mas não fomos os únicos – a britânica BBC 1 destacaram os So Many Wizards de entre as milhares de bandas que lhes chegam ás mãos diariamente, e também mais recentemente o Stereogum estrearam um dos seus singles dando-lhes principal destaque. Nós fomos conhecer um pouco mais sobre este grupo numa interessante entrevista, em que até marcaram uma vinda a Portugal como principal objectivo para o futuro.

Som Alternativo: Bem, ouvimos dizer que os So Many Wizards começaram graças a ti (Kazerouni). Sempre tiveste em mente criar uma banda? Nunca pensaste em criar um projecto a solo?

So Many Wizards: Eu comecei este projecto exactamente porque queria fazer algo a solo mas acabou por se tornar um pouco fora do meu poder conforme o projecto foi-se desenvolvendo. Apenas aconteceu naturalmente com amigos e colaboradores a fazerem coisas brilhantes e eu estou agradecido por eles. Eu nunca criei expectativas. Mas no que diz respeito a projectos solo, eu por acaso tenho um projecto novo no qual estou muito entusiasmado chamado Crown Plaza. É airport infundido com pop electrónico e mais uma vez, quem sabe no que é que isto vai dar…

SA: Porque que escolheste Erik Felix, Geoff Geis e Frank Maston para se juntarem a ti e como isso se proporcionou?

SMW: O Erik foi o primeiro. Ele é um bom amigo que me ajudou com concertos nos primeiros tempos. Assim que o projecto começou a dar certo, apenas fez sentido para mim tê-lo como membro a tempo inteiro tendo em conta que trabalhavamos muito bem juntos. Frank foi o próximo. Ele juntou-se a nós no Festival SXSW do ano passado e fez sentido juntá-lo ao grupo – um miudo muito talentoso. Geoff Geis é a última peça do puzzle. Ele liderou duas bandas chamadas Pizza! e Big Whup e nós costumavamos tocar com eles frequentemente. Quando os colegas de banda dele começaram a tomar destinos diferentes, nós “pescamo-lo” o mais rápido que pudemos. Ele nunca tinha tocado baixo antes de se juntar a nós e isto é o que mais gostamos no estilo dele. Ele é maravilhoso.

SA: Também sei que viajaste imenso na tua infância percorrendo a Europa, América do Sul e Jamaica. Isso influenciou-te a ti e à tua música?

SMW: Viajar por todos esses sítios onde damos por nós próprios num centro de detenção na fronteira entre o México e os EUA, acabou por ter um efeito enorme em mim, pelo facto de ter sido uma experiência traumática. Nos meus primeiros anos de infância eu começei a ter pesadelos terríveis, ansiedade e TOC grave. Isto derramou até aos meus anos de adolescência e 20 anos. A música reflecte a minha própria luta pessoal e eventual liberdade destes problemas psicológicos.

SA: És o único compositor da banda?

SMW: Eu escrevo a “espinha” de todas as músicas e trago para a banda onde aprofundamos e exploramos tudo aquilo que tem de ser explorado. Penso que este processo provém das origens a solo deste projecto.

SA: Sobre o que gostas de escrever?

SMW: Eu gosto de escrever sobre tudo mas o assunto mais comum deste próximo álbum é aquilo que sentimos quando nos perdemos no momento e começamos a notar e a apreciar coisas que normalmente não reparamos.

SA: Quais são as tuas maiores influências?

SMW: Marine Girls, Beat Happening, The Bats, Syd Barrett, France Gall, Aislers Set, Stevie Wonder… a lista continua por aí fora.

SA: No vídeo de “Fly A Kite” podemos claramente ver que és um amante de cinema colocando cenas de grandes clássicos como “Breakfast At Tiffany’s” e “Band Á Parte” do lendário Godard. O cinema influenciou a maneira como produzes?

SMW: Cinema sempre teve um impacto profundo na minha música. Eu apaixonei-me pela Nouvelle Vague nos primeiros tempos do básico e amei a natureza escapista das narrativas. Bastante inspirador.

SA : Vocês também são grandes amantes dos tempos antigos como os anos 60. Isso é alguma espécie de critica á música que é feita hoje em dia?

SMW: Não, não é nenhuma critica. Eu gosto da música de todas as décadas. Eu por acaso adoro alguma música nova que se tem feito ultimamente. Atlas Sound, Beach House, Moses Campbell, Michael Nhat, Jon Barba…

SA: A rádio BBC 1 destacou-vos dando-vos um airplay enorme e ao mesmo tempo começaram também uma digressão no Reino Unido. Como tem corrido? Ainda sentem que têm de “conquistar” o público a cada concerto ou já começam a ver algumas pessoas a cantarem convosco?

SMW: A BBC foi extremamente generosa conosco e tocar para novos públicos no Reino Unido foi fabuloso. Eles foram extremamente receptivos e planeamos lá voltar ainda este ano. Em Los Angeles, nós definitivamente começamos a ver pessoas a cantar e a dançar juntamente conosco. Isto aconteceu em particular no mês de Abril no Echo Residency. Nós amamos quando as pessoas começam mesmo a entrar nos temas. Mas há sempre uma montanha para escalar. Se as pessoas não conhecem a banda, então é tempo de nos introduzirmos a elas. Se elas já amam os So Many Wizards, então queremos nos tornar a sua banda favorita. Se já somos a sua banda favorita, então queremos que saiam de cada concerto a dizer “este foi o melhor de todos!”.

SA: Então alguma data agendada em Portugal ? Já alguma vez cá estiveram?

SMW: Nós nunca tocamos nem estivemos em Portugal mas certamente adoravamos. Eu também adorava aprender a falar Português visto que é uma língua tão linda. Talvez nos possam ajudar? (risos) não sei, estou só a mandar para o ar.

SA: Para além dos EUA e do Reino Unido, já alguma vez tocaram noutro país?

SMW: Geoff uma vez “tocou” no México mas não foi nada “musical” e quase foi morto.

SA: Falando de planos futuros, vocês vão lançar o vosso álbum longa-duração de estreia, Warm Nothing, via Jaxart, onde está incluído a nossa favorita “Lose Your Mind”. Qual é que acham que vai ser a reacção dos fãs acerca deste novo álbum ? Acham que este trabalho vos irá dar o vosso merecido reconhecimento?

SMW: Nós esperamos que o mundo o ame, mas não temos quaisquer expectativas. É um grande álbum e todos nós estamos orgulhosos dele e temos uma grande equipa que nos ajudou a chegar ao resto do mundo. A experiência tem sido maravilhosa até ao momento e estamos gratos pela oportunidade. Quer o álbum seja um grande sucesso ou um falhanço, posso garantir que todos nós iremos continuar ocupados a fazer música por esta altura no próximo ano.

SA: Alguns planos para o futuro?

SMW: Estamos a planear ir a Portugal. Está decidido.

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About The Author

Crítico de música, cinéfilo e apaixonado pelas artes a viver os seus mais tenros anos. Português, com orgulho.

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