Friday 26th April 2013,
Som Alternativo

Ian Anderson – “Thick as a Brick 2” (EMI, 2012)

André Sousa 22 de Abril de 2012 Bandas e Artistas, Brand New, Críticas, Jethro Tull Sem Comentários

Apesar de terem sido catalogados como “prog-rock” e terem efetivamente feito parte da cena musical que dominou o início da década de 70, os Jethro Tull sempre foram uma banda à parte dos seus pares mais elitistas como os Yes ou os Emerson, Lake & Palmer. 

Editado há precisamente 40 anos, “Thick as a Brick” era um álbum conceptual que gozava deliberadamente com a pomposidade que o género Progressivo incutiu no Rock mainstream. Sem se levarem muito a sério, os Jethro Tull conseguiram contar uma estória com princípio, meio e fim, que muita a gente na altura ficou a pensar se era verdadeira ou não.

A própria capa (que demorou mais tempo a fazer do que a gravação do álbum) recriava na primeira página um tabloide fictício, o icónico – “St, Cleeve Chronicle” – relatando o escândalo do jovem prodígio de 8 anos Gerald Bostock ao qual foi retirado o prémio pela melhor composição depois deste ter usado a palavras ofensivas na BBC. A coisa foi tão bem cozinhada que o público deixou-se levar pelo logro, fazendo de “TAAB” o primeiro disco dos Jethro Tull a chegar ao número 1 nos dois lados do Atlântico. Proeza que não voltariam a repetir.

Agora 40 anos depois e depois de muitas recusas, Ian Anderson decidiu revitalizar a personagem de Bostock criando “TAAB 2”. Uma espécie de sequela na qual somos transportados não para uma, mas para cinco histórias diferentes, sobre o que aconteceu realmente ao agora cinquentão Gerald.

Os tempos como são outros e em vez do jornal temos o website http://www.stcleve.com/, em vez dos Tull temos Anderson a solo. Mas uma coisa é garantida, o espirito da música em si é o mesmo de há 40 anos. Uma noticia positiva dado que muitas das vezes estas experiencias conceptuais não correm lá muito bem.

Há aqui qualquer coisa de sublime e intrigante, romanticamente inglês e que para quem gostou do disco original só pode congratular Anderson pelo esforço de trazer até nós sobre o mistério do que aconteceu ao desafortunado Bostock.

Será que o menino-prodígio se tornou num criminoso de colarinho branco da alta finança? Num vagabundo das ruas de Londres? Num militar torturado mentalmente pela guerra no Iraque? Num fanático evangelista? Ou num simples homem de meia-idade frustrado residindo na pequena vila de St. Cleeve?

Anderson, o narrador, dá-nos vários finais possíveis. Cabe a palavra final a cada um de nós sobre qual o fatídico destino a dar à personagem.

(8/10)

 

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