Som Alternativo

Astra – “The Black Chord” (Rise Above Records, 2012)

30 de Abril de 2012 Brand New, Críticas Sem Comentários

Antes de serem excessivamente famosos com o sucesso colossal de “The Dark Side of the Moon”, os Pink Floyd eram lideres inquestionáveis líderes da corrente prog/space-rock psicadélico que entre 1967 e 1972 tomou de assalto a cena underground. 

Escutar “The Black Chord”, o segundo registo de longa duração dos californianos Astra é voltar precisamente a esse território perigoso mas decididamente fértil em que a música era conceptualizada como se tratasse de uma trip intergaláctica, onde com a ajuda de substâncias químicas, (vulgo LSD), o som adquiria novos rumos e alertava para novos estados da consciência dando um colorido extra a quem desfrutava dessas longos desvaneios cósmicos.

“The Black Chord” é precisamente feito dessa matéria orgânica-química, uma obra que certamente não contem em si um género musical original (esse feito pertenceu aos “pais” do rock sinfónico), mas é solidamente fértil em boas ideias capazes de rebentar o cérebro de quem o ousa escutar.

Para os velhos fanáticos do progressivo é um excelente cartão-de-visita para recordar o porquê da importância de nomes como os já mencionados Pink Floyd, mas também de outras bandas vitais do período “pré-Dark Side” como os King Crimson, os Caravan, os Genesis, os Yes ou os Gong.

Para os mais novos que nunca desfrutaram de discos gigantes como “Meddle”, “In the Court of the Crimson King”, “Foxtrot” ou “In the Land of Grey and Pink”, e para quem progressivo é uma palavra “maldita” ou “estranha” que pouco combina com o “rock” a ordem é para arriscar. Vá lá, não tenham medo de ouvir algo que é feito em 2012 feito com todo a dedicação amor e inspiração de 1972. Algo que muitas bandas prog tentaram ao longo dos últimos anos e falharam.

“The Black Chord” é um disco para vos fazer arrepiar a espinha de tão bom que é. Uma obra-prima capaz de vos libertar, de fazer viajar a vossa mente para partes estranhas. Sedutoras mas ao mesmo tempo assustadoras. Tem ainda a particularidade de não ser realizado por uma banda inglesa mas sim oriunda da solarenga São Diego. Algo que lhe dá uma aura de charme e mistério. Finalmente há americanos que não se inspiram nos blues ou na country para criar qualquer coisa audível.

Do instrumental “Cocoon”, uma espécie de neto mais novo de “Careful With That Axe Eugene” com ares de canção perdida dos “Necktar”.Passando por oceanos topográficos de acordes, melopeias estranhas, solos moog e guitarras elétricas que residem no tema “The Black Chord”. Indo até às catacumbas abissais e perigosas do lado mais pesado dos espaciais Hawkwind em “Quake Meat”. Seguindo as pegadas pastorais dos Genesis na balada “Drift” ou desvendando o lado mais “arty” dos Black Sabbath no instrumental “Bull Torpis”. E rematando com o épico “Barefoot in the Head”, que contem alguns solos dignos de um David Gilmour.

Canções com este grau de intensidade não são fáceis de ser absorvidas pelo ouvinte comum. Mas para quem o conseguir, certamente que irá achar o acorde negro escondido no lado oculto da lua algo imensamente apaixonante e mágico.

(10/10)

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