Texto de Nuno André Silva.
Nascido a 2 de Agosto, José Afonso, mais conhecido como Zeca Afonso, é um dos maiores artistas que Portugal já viu. Embora seja natural de Aveiro, o cantor viveu grande parte da sua infância em África nomeadamente em Angola e Moçambique. A 1938 vai viver com o seu tio Filomeno em Belmonte, presidente da Câmara e ferveroso Salazarista, sendo que José vê-se obrigado a vestir o traje da Mocidade Portuguesa.
Nesta altura mostra-se uma pessoa extremamente pro-activa tendo entrado no Liceu Nacional D.João III, Faculdade de Letras de Coimbra, Orfeão Académico de Coimbra, Tuna Académica da Universidade de Coimbra, no clube de futebol Académica e sendo um dos mais dotados membros do Fado de Coimbra. Mais tarde acaba por casar-se secretamente com Maria Amélia de Oliveira pois era contra a concordância dos pais. Abaixo fica a imagem de um azulejo presente na casa onde Zeca Afonso viveu.
A 1953 nasce-lhe o primeiro filho, José Manuel, que o obriga a dar explicações e revisões no Diários de Coimbra para se sustentar financeiramente, altura em que lança Fados de Coimbra, seu primeiro álbum. De seguida cumpre o Serviço Militar e no final lecciona em Mangualde, Alcobaça, Aljustrel, Lagos, e Faro, sendo posteriormente professor em Lagos.
Separa-se de Maria Amália e manda os filhos para Moçambique em 1958 sobre a custódia dos Avós. A 1963 lança o tema “Os Vampiros” que, juntamente com Trova do Vento que Passa de Adriano Correia de Oliveira, tornaram-se os maiores hinos de resistência anti-Salazarista, realizando digressões por Alemanha, Suiça e Suécia. Na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em 1964, cria “Grandola, Vila Morena” que viria a tornar-se o hino da revolução de 25 de Abril, lançando nessa altura os álbuns Cantares de José Afonso e Baladas e Canções. No ano seguinte dá música á peça tetral A Excepção e a Regra.
Depois de 3 anos em Moçambique, volta para Portugal e torna-se um verdadeiro activista da resistência democrática, tendo sido preso pela PIDE. Grava Cantares do Andarilho que lhe rende o prémio de Álbum do Ano e de Melhor Interpretação. Nessa altura, Zeca Afonso recebe a “alcunha” de Esoj Osnofa pela imprensa, para que estas não sejam censuradas. Entre 1971 e 1973 edita Cantigas de Maio e Venham Mais Cinco, sendo no último ano preso pela PIDE no Forte-Prisão de Caxias.
Após 25 de Abril de 1974, o cantor retorna á sua função de professor e grava Coro dos Tribunais. A 1976 apoia a campanha de Otelo Saraiva de Carvalho, lança Galinhas do Mato a 1985 e no ano seguinte apoia a campanha de Maria de Lurdes Pintassilgo.
Zeca Afonso termina a sua orgulhosa vida a 23 de Fevereiro de 1987 no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

















