O que fazer a seguir quando já se fez uma obra-prima? É uma pergunta que os ingleses de Liverpool, Anathema devem ter questionado quando começaram a escrever o sucedâneo do brilhante: “We´re Here Because We´re Here”. Um disco, que para os mais atentos marcou sem dúvida o ano de 2010, e que redesenhou o espirito da música progressiva para a década negra e difícil que atualmente vivemos.
Longe vão os tempos em que a banda dos irmãos Vicent, Danny e Jamie Cavanagh se dedicava ao género doom metal puro e duro. Vinte anos desde o seu começo os Anathema de hoje são uma banda completamente diferente. Inclusive têm uma vocalista feminina – Lee Douglas – que dá um ar ainda mais etéreo à coisa e que contribui em larga escala para adocicar o som de uma banda mais virada para o sinfonismo e aberta a novas experiencias auditivas dignas de uns Radiohead.
Com este “Weather Systems”, a banda continua na trilha sónica do disco predecessor. Embora não seja tão imediato, é inequivocamente um disco com uma aura grandiosa e que conquista aos poucos um lugar central nos discos a ter em atenção para esta temporada. Tem aqui qualquer coisa de romântico, mas ao mesmo tempo sombrio, o que torna música muito mais interessante. Tem aquilo a que os próprios músicos definem como sendo ”música para comover o ouvinte”. Mas claro, sem cair na lamechice banal.
O disco arranca com o harmonicamente intenso “Untouchable”, dividido em duas partes distintas (ou não estivéssemos a falar de um grupo com 100% de tendências “prog”). Os Anathema rodopiam entre a majestosidade e a simplicidade dos arranjos procurando ser o mais incisivos possível.
Segue-se o atmosférico “The Gathering of the Clouds” que é fácil de imaginarmos como sendo a banda-sonora de um dia com cores estranhas no meio de um qualquer campo inglês enquanto olhamos para um céu meio cinzento, meio-azul que nos transmite sensações muito fortes sobre o sentido da vida.
Mais calmo, “Lightning Song” partilha algumas afinidades acústicas com os últimos trabalhos do ex-Genesis, Steve Hackett ou com o lado mais calmo dos Porcupine Tree de Steven Wilson. Para o lado mais elétrico temos os Anathema descarregam a sua força e intensidade em canções como “Sunlight” ou mais experimental “The Storm Before the Calm”.
Sem quererem descer à terra, o grupo continua o seu percurso estelar com o melancólico “The Lost Child”. Realmente e parafraseando novamente a banda:” isto não é música para festas”.
Para o cair do pano temos o filmográfico “Internal Landscapes” que termina em estado de graça uma obra para se escutar com muita atenção e que não é aconselhável a qualquer estado “meteorológico” da alma.
A tristeza e a melancolia imperam à alegria e à felicidade. Mas tal com eles afirmam: “isto é música para comover”. E nessa difícil arte pode-se afirmar que já são: experts na matéria.
(9/10)










