Som Alternativo

Crítica & Stream: Grimes – Visions

18 de Março de 2012 Álbuns, Brand New, Grimes, Notícias 6 Comentários

Texto de Nuno André Silva.


Há um assunto de certa forma inevitável de não pensar ao ouvir este álbum : a evolução da tecnologia. Aliás, somos bombardeados com imensas notícias a relatar esta evolução e a verdade é uma, é impressionante. Eu sou do tempo em que se ficava 15 min a olhar para um ecrã á espera que ele abrisse o browser da internet, hoje se demora mais de 2 segundos já me questiono o que se passa de errado com o meu computador.

Não divergindo, apesar de todos os contras que esta evolução trouxe e irá trazer, a verdade é que no campo musical permitiu descobrir um novo mundo. Passamos da era dos maiores solos frenéticos e electrizantes para a era do som robótico mais psicadélico e louco. É verdade que sou uma pessoa bastante old-school que cospe raios de arco-íris quando houve o tio Jimi Hendrix a solar, mas não desgosto desta nova era. Como tudo, há quem a leve ao ridiculo, mas há também quem a saiba aproveitar talentosamente e Grimes é um bom exemplo disso.

A história que me liga a ela é um pouco estranha. Estava eu no meu computador a ouvir música aleatoriamente apenas para não estar no silêncio irritante. Nisto, vou eu almoçar e deparo-me a cantarolar “my heart will never be, never feel never” e só depois é que me questiono que raio de música é que estava a cantar. Bem, toca a vasculhar o histórico até encontrar. Que era melhor no meu cérebro sem dúvida, mas ainda assim é muito boa. Poucos dias lá lança ela “Oblivion” que me agarrou pelos dois braços até ao álbum inteiro. Parece que tenho uns agradecimentos a fazer.

A cantora de 23 anos inicia-se com uma introdução, nada de extraordinário mas também nada mau. Percorre logo para os dois singles da cantora, o que torna a audição de todo o resto do álbum mais fácil e também com certeza me familiarizou com traços característicos desta cantora. Entramos nos sons robóticos em “Eight”, e é também esta (os robots) uma temática relacionada com este álbum, até mesmo nas letras da cantora onde ela questiona algumas vezes o quão humanos somos e será que não nos estaremos a tornar cada vez mais mecânicos e programados, como “Soft skin/ You touch me with it and so I know I can be human once again.” encontrada na faixa “Skin”. Pensem sobre isso.

“Circumambient” traz-nos a melancolia. Com um sample electrónico extremamente viral, este tema convida mesmo a fechar os olhos e dançar á lá Thom Yorke e sentir aquele som a invadir todo o cérebro com a aguda voz de Grimes a aperfeiçoar toda esta experiência. Animamos um bocado as coisas para “Vowels” em que o inicio me faz lembrar Depeche Mode e não sei porque, é muito absurdo isto ? Sei que adoro a voz dela, e embora provavelmente tenha sofrido manipulação tecnológica não deixo de me render. Esta admiração prolonga-se para “Visiting Statue” num tema dançante. “Be A Body” volta a trazer-nos á temática que apresentei acima onde ela nos convida a ser um corpo e deixar esta repugnante epiderme que nos torna máquinas sem sentimentos nem compaixão.

De seguida vem o tema que menos gosto pois o facto de estar 4min a ouvi-la repetidamente “i was on the road” (não tendo bem a certeza se é o que ela diz)  aborreceu-me um bocado para ser sincero. Avançemos para “Symphonia IX”, mais um tema calmíssimo com uma voz das sereias. “Nightmusic” é mais um tema dançante que não adiciona grande coisa, mas em “Skins” vou ter de parar para tecer alguns elogios a uma das minhas faixas favoritas deste álbum. É verdadeiramente apaixonante ! Para além do lindissimo som que aqui apresenta digno de uma meditação divinal, é provavelmente a faixa em que melhor mostra a potencialidade da voz da cantora. A maneira como este tema acaba é também arrebatador, deixou-me absolutamente apaixonado e é certo que aumentou uns significantes pontinhos na minha nota. Deixem só esta música entrar num anúncio da PT e vemos “Skin” a receber o reconhecimento que merece. (Ups, sou capaz de ter magoado algumas almas com isto).

Grimes finaliza este excelente Visions com “Know The Way”, que segue um pouco a sequência lógica que “Infinite”, desta vez sendo um tema para concluir este trabalho que recebe a minha recomendação e poderão ouvir na sua totalidade abaixo.

Nota Final : 8.4 / 10

Grimes – Visions by Nuno André Silva on Grooveshark

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About The Author

Crítico de música, cinéfilo e apaixonado pelas artes a viver os seus mais tenros anos. Português, com orgulho.

6 Comentrios

  1. Nuno André Silva 27 de Março de 2012 at 10:09

    mais uma vez, muito muito obrigado !

  2. Maura Silva 22 de Março de 2012 at 21:03

    um BOM trabalho deve ser sempre reconhecido Nuno. :)

  3. Nuno André Silva 21 de Março de 2012 at 00:54

    Era esse o meu propósito, muito obrigado Maura (:

  4. Maura Silva 20 de Março de 2012 at 20:22

    Bom, muito bom!
    por acaso admito que não conhecia, mas mesmo antes de ouvir as musicas, consegui ter uma ideia de como seriam apenas com a descrição.

  5. Nuno André Silva 19 de Março de 2012 at 23:41

    fui eu que escrevi. posso saber as razões porque diz isso ?

  6. FernandoAraujo Prod 19 de Março de 2012 at 21:30

    Pior crítica musical que alguma vez li na minha vida!
    Quem escreveu isto tem alguma experiência musical? Ao que me parece, a resposta é fácil… não!

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