A biografia de Glenn Hughes poderia ser igual à de tantas outras “rockstars”, em que no último eram relatados pormenores sórdidos da sua morte, habitualmente relacionada com o consumo excessivo de álcool e drogas. No entanto o ex-Deep Purple preferiu reverter o seu auto processo de destruição e apostar numa vida sem essa sua “amante” (de mais duas décadas) chamada cocaína. Uma droga à qual Hughes sempre se refere aqui como a “sua doença”. Uma verdadeira descida aos infernos da qual ainda hoje não sabe como se safou. Pelo meio Hughes teve uma tanto brilhante como de errática.

Uma viagem musical que começou da melhor maneira no final dos anos 60 com os Trapeze. Uma das primeiras bandas no Planeta que fazia a mistura perfeita entre o funk e o rock, mas que curiosamente nunca conseguiu atingir transpor a energia dos seus concertos em disco e consequentemente não teve o sucesso que mereceu. Quando estiveram perto disso, Hughes aceitou em 1973 o convite de ingressar numa das maiores bandas do mundo na altura: os Deep Purple. Uma proposta milionária e irrecusável para um miúdo de 21 anos. Porém o tão almejado sucesso não viria sem o seu preço. Aos poucos Hughes transformou-se num músico apenas interessado em cantar e tocar o seu baixo num monstro egocêntrico apenas interessado na próxima dose. Um ciclo de vida que se tornou na sua imagem de marca e que ainda hoje o músico, com 62 anos se esforça por limpar.
Entre 1973 e 1976, Hughes gravou com o novato David Coverdale algumas das melhores harmonias vocais alguma vez escutadas em discos de rock. O enérgico e bluesy “Burn” deu continuidade a esse rock musculado inglês que fez da anterior encarnação (a célebre “MK II”) dos Deep Purple um “case study” de sucesso. No entanto as influências soul e funky de Hughes só se fizeram escutar no disco seguinte: “Stormbringer”. Uma obra com uma direcção musical diferente e que irritou Ritchie Blackmore, apressando a saída do genial guitarrista em Abril de 1975. E quando se julgava que era o fim da banda. Eis que meses
Com dinheiro para gastar e sem banda para o ocupar, Hughes ainda gravou em 1977, o obscuro “Play Me Out”. Um disco que tal como o seu autor desapareceram da cena musical durante alguns bom anos. Viciado em cocaína e todo o tipo de drogas, com excepção da heroína, Hughes continuou a viver uma vida de excessos saltando de projecto em projecto sem qualquer direcção artística. Ficaram célebres as suas breves colaborações com Gary Moore ou os Black Sabbath. Mas o seu melhor disco é sem dúvida com o guitarrista Pat Thrall. Uma obra que ainda hoje é aclamada pela crítica com um dos grandes discos perdidos da década de 80.depois surgiram com o excelente mas viciado Tommy Bolin que levou a banda para territórios musicais mais experimentais e aventureiros nesse derradeiro clássico chamado: “Come Taste the Band”. No entanto se já era perigoso ter um drogado na banda, com dois era dose fatal para fatal para matar a banda. Em Março de 1976, os Purple separavam-se após um concerto sofrível em Liverpool, onde Hughes e Bolin não conseguiram disfarçar os seus “problemas extra palco”.
Mas a carreira do denominado “voice of rock” só ganhou consistência quando Hughes apanhou o susto da sua vida. Em 1991 teve um ataque cardíaco que o ia ceifando de vez. Um “wake up call” que lhe deu a volta ao miolo e o fez largar as drogas de vez. Ainda bem, porque desde então nunca mais parou. 10 Discos a solo, colaborações com mil e tal artistas e uma nova banda – “Black Country Communion” – trouxeram-no de volta à luz. Em 2012, Glenn hughes é um homem satisfeito consigo próprio e com uma carreira rica em histórias para contar. Por isso vale bem a pena mergulhar os olhos neste livro e mergulhar numa das aventuras mais excitantes do rock n rol.
(9/10)


















um dos maiores cantores atuais sem dúvida. Não perco um show quandop vem ao Brasil
Olá Caires8
Tem mais sorte do que eu que nunca vi o Gleen Hughes ou os Black Country Communion ao vivo. Espero que quando eles fizerem o 3º disco (previsto para o final deste ano), não se esqueçam de vir a Portugal.