Friday 26th April 2013,
Som Alternativo

Red Hot Chili Peppers – “I´m With You” (Warner, 2011)

André Sousa 18 de Setembro de 2011 Brand New, Críticas, Notícias, Red Hot Chili Peppers 2 Comentários

Depois de umas merecidas férias, André Sousa e as crónicas “Notas do Presente” marcam um regresso com uma crítica ao mais recente álbum dos Red Hot Chili Peppers, “I´m With You”.

Enjoy!

Após um longo hiato e cinco anos depois do último de estúdio – “Stadium Arcadium” – pode-se dizer que os californianos Red Hot Chilli Peppers atravessaram algumas mudanças. No entanto e ao mesmo tempo, parece que nada mudou desde então.

É certo que perderam o seu carismático guitarrista, John Frusciante que os abandonou em proveito de uma mais aventureira carreira a solo, mas o seu substituto, John Klinghoffer parece coser-se sobre as mesmas linhas musicais. A ele juntam-se os habitués, o eterno desalinhado Anthony Kiedis, o espampanante baixista Flea e o mais moderado rocker, Chad Smith na bateria.

“I´m With You” o mais recente disco de estúdio é um disco que basicamente vem na linha dos anteriores (“Stadium Arcadium” ou “By the Way”) onde o quarteto explora diversos estilos mas retendo a mesma fórmula musical. Ou seja, os anos passam, mas os Red Hot continuam essencialmente na mesma, sem surpreender. Fazem um disco limpinho, sem grandes devaneios ou experiências onde correm o mínimo de risco possível.

Com 14 novos temas debaixo da manga, o grupo explora as habituais avenidas do rock norte-americano com ares bronzeados “made in california”, contendo algumas músicas bastante polidas para poderem ser passadas directamente na rádio (“The Adventures of Rain Dance Maggie”, “Happiness Love Company” ou “Brendan´s Death Song”). Um truque que nunca falha e que geralmente lhes granjeia estádios esgotados e uma gigantesca parede forrada de discos de ouro e platina.

Ambições comerciais à parte, ainda há aqui alguns capítulos interessantes. E esses serão certamente os temas onde o grupo mete a sua colherada funk. Aqui os melhores exemplos dessa arte refinada por eles (desde 1983) são: “Factory of Faith”, “Even You Brutus?” ou “Look Around”.

Quanto ao resto, não passam de meras tentativas de canções desinspiradas em que o motor do carro parece querer pegar, mas depois de quatro ou cinco tentativas de escuta: vai logo abaixo. “Did I Let You Know”, tem ali um trompete para dar um ar mais quente à canção mas acaba por funcionar como um verdadeiro balde de água fria. “Dance Dance Dance” não chega sequer para convidar para um pezinho de dança. “Ethiopia” se fosse escrita em 1999 nem chegava sequer para ser um “ lado B”e de um single extraído de“Califonication”. Quanto às mais calmas (já nem lhes chamo baladas) “Annie Wants a Baby” e “Meet Me in the Corner” são irritantes q.b. e não acrescentam absolutamente nada ao álbum.

Desta salganhada salva-se apenas o mais experimental “Monarchy of Roses”, o genuinamente alegre “Goodbye Hooray” e o mais sentimental e franco “Police Station”. Verdadeiras pérolas num mar de banalidades e equívocos musicais que não são suficientes para justificar ouvir este disco mais do que duas ou três vezes de seguida.

Ao décimo disco de estúdio, com um Frusciante a menos e alguns anos depois, os Red Hot Chilli Peppers começam a cansar. “I´m With You” é quase para esquecer.

(5/10)

Ouça abaixo um dos temas deste disco, “Monarchy of Roses”:


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2 Comentrios

  1. Cunha-barroso 30 de Novembro de 2011 at 16:11

    Epá parece q não ouviste bem o disco WTF…
    “Um truque que nunca falha e que geralmente lhes granjeia estádios esgotados e uma gigantesca parede forrada de discos de ouro e platina”

    E não é o sonho de qualquer banda???

    Enfim…

    • Som Alternativo 30 de Novembro de 2011 at 20:02

      São opiniões, decerto que o André (autor da crítica) respeita a tua ;)

      Na minha opinião, os RHCP foram geniais até ao “Californication”. A partir daí, foi tudo muito fraquinho…

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