
É com mais um álbum dos Dream Theater que o Som Alternativo dá seguimento às crónicas “Notas do Presente”, apresentadas por André Sousa, autor do blog “Mad Ocean…Vast Music“ e nosso parceiro. A crítica será então sobre o novo álbum “A Dramatic Turn Of Events”.
Enjoy!
Faz precisamente um ano, no dia 8 de Setembro, quando o baterista e membro fundador dos Dream Theater desde a “hora H”, Mike Portnoy, decidiu abandonar a banda. Uma notícia que não só espantou os fãs da maior banda de metal progressivo do mundo (se excluirmos os Rush), como apanhou completamente desprevenido os seus companheiros de longos anos de estrada.
Mais tarde, o virtuoso baterista afirmaria que a ideia inicial não era sair da banda, apenas queria fazer uma pausa na carreira dos Dream Theater. Um hiato que John Petrucci, Jordan Rudess, John Myung e James Labrie não entenderam.
Batidos, mas não vencidos, e enquanto os rumores se espalhavam sobre se este seria o final dos autores de “Images & Words”, o quarteto remanescente decidiu remeter-se ao silêncio. Secretamente começaram a busca por alguém que tinha de ser: mais do que perfeito. Essa demanda chegou ao fim, quando uns meses mais tarde, numa sala de ensaios em Nova Iorque testaram os conhecimentos de Mike Mangini.
Professor da escola da prestigiada escola “Berklee College of Music” e com uma carreira que inclui alguns nomes sonantes no panorama rock (Steve Vai, Extreme ou Annihilator) a prestação de Mangini foi “mais que perfeita” e segura para bater a concorrência. O filme das audições pode ser visto no Youtube, com os Dream Theater a fazerem suspense sobre quem iria incidir a escolha do lugar de ouro. Quando soube que iria ser o escolhido, Mangini não escondeu as lágrimas…de alegria.
Com este problema resolvido, estava na altura de trabalhar num novo disco de originais. O décimo-primeiro de estúdio – “A Dramatic Turn of Events” – e o melhor disco da banda desde “Octavarium” (2005).
Se nos últimos registos (“Systematic Chaos” e “Black Clouds Silver Linings”) eles andavam mais virados para a sua costela de “metal pesado”, agora viram a página e voltam às suas raízes progressivas. Ou seja temos mais “Awaken” do que “Train of Thought”. Temos mais teclados de Jordan Rudess do que guitarras de John Petrucci. Temos mais floreados de notas e menos riffs pesados. Temos canções ainda mais épicas, mágicas e aventureiras. Temos uma sensação renovada tal como se fosse a primeira vez que os estivéssemos a escutar.
O tema de abertura, “On the Back of Angels” é um bom exemplo deste novo espírito. Tem todos os condimentos de uma típica canção dos Theater, mas há aqui qualquer coisa de novo e não me refiro só às batidas impostas pelas mãos eficientes de Magini. O teclista Jordan Rudess continua a tocar como um feiticeiro, Petrucci faz da sua guitarra a sua espada para conquistar o seu Reino, Myung continua muito seguro no baixo de 6 cordas e Labrie, igual a si mesmo: um grande vocalista, que nesta nova fase assina mais letras, dado o vazio criativo deixado por Portnoy.
“Dramatic Turn of Events” é assim, um disco para exorcizar os fantasmas do passado. Uma obra acima da média que conta com outros grandes temas, como o pesadão, mas com um ar futurista: “Build Me Up Break Me Down”. Para o lado mais épico da coisa há aqui quatro temas a ultrapassar os 10 minutos. Tudo para fazer as delícias dos que adoram que a música seja sempre 100 à hora, com muitas variâncias de tempo, milhões de solos, acordes, riffs e sequência de notas infinitas de fartar o mais melómano dos mortais. Primeiro com o complicado “Lost Not Forgotten”, seguido depois do colossal “Bridges in the Sky”, continuando pelos confins dos abismos sónicos com “Outcry” e terminando com o magistral progressivo “Breaking All Illusions”.
E claro, como não podia faltar uma ou outra melodia mais acessível, cá estão as mais calmas “This is the Life”, “Far From Heaven” e “Beneath the Surface” para mostrarem quem são as baladas de serviço. Estas últimas duas a fazerem lembrar os tempos mais antigos de “Awaken” e Images and Words” quando o talentoso Kevin Moore ainda militava nos rankings banda.
Em jeito de balanço, este disco é sem sombra de dúvidas o novo capitulo que volta a dar força e impulso à carreira dos Dream Theater. Uma obra da qual transformam as suas fraquezas em forças. Uma mudança dramática de acontecimentos, que lhes fez muito bem. O pior já lá vai.
(9/10)
















