Saturday 27th April 2013,
Som Alternativo

Alice Cooper – “Welcome 2 My Nightmare” (2011)

André Sousa 20 de Setembro de 2011 Alice Cooper, Brand New, Críticas Sem Comentários

O Som Alternativo dá seguimento às crónicas “Notas do Presente”, apresentadas por André Sousa, autor do blog “Mad Ocean…Vast Music“, com uma crítica ao novo álbum de Alice Cooper, “Welcome 2 My Nightmare”.

Enjoy!

O monstro está de regresso. Vicent Furnier volta a desenterrar o seu “alter-ego Frankenstein” – Alice Cooper – para a sequela do álbum mais bem sucedido da sua carreira: “Welcome to My Nightmare”, de 1975. Um clássico do heavy metal misturado com o vaudeville, e gravado numa altura em que Cooper já era um artista a solo e não uma banda, o disco adquiriu proporções ainda maiores graças aos espectáculos grotescos muito bem encenados onde Cooper se dedicava a arrancar cabeças de bonecas, guilhotinava-se a si próprio e o diabo a quatro. Sempre com muito sangue e cobras, de preferência: frescos. Era a mistura perfeita do lado sombrio da Broadway, com o “Rocky Horror Picture Show”
Agora, em 2011, numa era em que ninguém liga a álbuns, quanto mais aos conceptuais, ainda fará sentido Alice Cooper ressuscitar o seu monstruoso, mas bem-humorado alter-ego?

Bem, digamos que em 100%, metade dos votos vão para a resposta: não. As sequelas já não são famosas no meio cinematográfico, quanto mais no meio discográfico. Veja-se o exemplo de outros como os Queensryche, Mike Oldfield, Smashing Pumpkins ou Meat Loaf cujas tentativas de criarem uma espécie de saga de continuidade novelística das suas obras mais destacadas foram um grande falhanço quer artístico quer comercial.

Mas ouvindo este “Welcome2 My Nightmare”, há 50% de probabilidades de Alice Cooper ter entregue o melhor álbum da sua moribunda carreira desde os tempos de “Hey Stoopid”. E ouvindo-o com um pouco de atenção e paciência…Mr. Furnier…safa-se: à justa.

Uma obra que em termos conceptuais não vem acrescentar nada de nova mas que tem inquestionavelmente os seus méritos musicais.

Em primeiro lugar há um grande tema (que é o primeiro single do disco) a ter em conta. Chama-se “I´ll Bite Your Face Off” que é um chavão típico de Alice, mas que soa aos melhores Rolling Stones da fase dourada de “Exile on Main Street”.

Em segundo existe neste disco uma grande variedade musical, procurando outras fórmulas musicais menos óbvias. Há aqui heavy metal puro e duro (“Caffeine” e“A Runaway Train”), há vaudeville de encher o orgulho a David Lee Roth dos Van Halen (“Last Man on Earth”), há pedaços de rock alternativo “The Congregation”, há canções a gozar com o disco sound e a pop que passa 24 horas na MTV (“Disco Bloodbath Boogie Fever”) e ecos de Beatles em baladas como (“I Am Made of You” e “Something to Remember Me By ). Mas há sobretudo aquele “scary Alice” para tornar os vossos sonhos em pesadelos sónicos e que com a idade soam curiosamente a um Bob Dylan em roupas de couro (“When Hell Comes Home”).

A complementar tudo isto há ainda a destacar a excelente produção do mago Bob Ezrin (que volta a “Nightmare” passados 36 anos) e a participação de quase todos os membros originais da verdadeira Alice Cooper Band (1968 – 1974).
Razões mais do que suficientes para acreditar nos 50% que votam: sim. O pesadelo está de volta.

(8/10)

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