Som Alternativo

Rory Gallagher – “Notes From San Francisco” (Eagle Records, 2011)

Uma vez perguntaram a Jimi Hendrix: “qual era sensação de ser o melhor guitarrista do mundo?”. Muito calmamente, extremamente cool e sacando uma passa do seu cigarro, o autor de “Purple Haze” respondeu: “não sei…perguntem ao guitarrista dos Taste…Rory Gallagher”.
Irlandês de gema, William Rory Gallagher, nascido na Irlanda do Norte, em Ballyshanoon, mas criado no Sul, em Cork, foi talvez dos melhores guitarristas de sempre a pisar esta Terra. Dotado de um talento feroz, exibindo todos os dotes vistosos e técnicos de um puro Deus da Guitarra, a sua carreira foi sempre uma autêntica: “montanha russa”. No entanto o guitarrista enquanto cá andou (faleceu em 1995 vítima de complicações originadas por um transplante de fígado) sempre teve forças para se levantar e ir para o “ringue”, quando outros lhe diagnosticavam o seu fim enquanto lenda do rock.
O seu período de época áurea foi em meados da década de 70, aquando da publicação do lendário “Irish Tour 74”. Um dos grandes discos ao vivo do período e que chegou a vender mais de um milhão de cópias só nos Estados Unidos. Um acto pioneiro para alguém vindo da Irlanda. Não esqueçamos que os Thin Lizzy ainda estavam a começar engrenar e os U2 ainda não passavam de um sonho de quatro adolescentes de Dublin.
Agora, chega até nós mais um disco póstumo – “Notes from San Francisco” – ou melhor, dois. O primeiro é um disco ao vivo gravado em São Francisco, Califórnia em que podemos escutar a força da actuação de Rory através seus habituais hits: “Shadowplay”, “Shinkicker” ou “Bought and Soul.” Mas, que lá no fundo não acrescenta muito aos outros discos ao vivo já sobejamente conhecidos.
Mais interessante é o disco “perdido” de estúdio. Um projecto o qual Gallagher abandonou a meio das gravações, por não estar muito satisfeito com o rumo das mesmas e pelo facto de a mistura não ser do seu agrado. As masters ficaram a apodrecer. Esquecida e abandonadas a um canto, até que…
30 e tal anos depois, o seu irmão (e ex-manager) Don e o seu filho Daniel conseguiram por as mãos na massa e através das novas tecnologias conseguiram penosamente desenterrar o material e reconstruir as 12 canções que compõe este disco.  E ainda bem que o fizeram.
Gallagher tem aqui alguns momentos sublimes de blues misturados com hard-rock, como “Brutal Force & Ignorance”, “Mississippi Sheiks” ou “Out on the Titles”.
O resto, como dizem…é história. Mas 16 anos após a sua ida, Gallagher talvez merecesse mais reconhecimento. Este “Notes of San Francisco” pode ser mais uma achega para fomentar uma lenda que merece ser ouvida e revivida.
(8/10)

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