Som Alternativo

Pushking – “The World as We Love It” (Eagle, 2011)

17 de Fevereiro de 2011 Brand New, Pushking Sem Comentários
Não sei como é que o conseguiram, mas os relativamente desconhecidos russos Pushking têm um novo disco que é um autêntico “espantar de olhos” para quem aprecia um bom velho Hard-Rock regado de blues e alguma soul à mistura. Com um leque de convidados que mais parece uma festa privada de velhas glórias do “Rock n Roll Hall of Fame”, a banda de São Petersburgo conta nem mais nem menos com nomes sonantes como BIlly Gibbons (ZZ Top), Eric Martin (Mr. Big), Paul Stanley (Kiss), Steve Vai, Alice Cooper, Glenn Hughes (Trapeze, Deep Purple, Back Country Communion), John Lawton (Uriah Heep) ou até mesmo Nuno Bettencourt (Extreme), Joe Lynn Turner (Rainbow e Deep Purple) e Jeff Scott Soto (Journey e Yngwie Malmsteen) entre outros. Só David Coverdale parece ter faltado à chamada, mas está cá o seu clone norueguês, Jorn Lande para o substituir.
Uma lista de respeito e que complementa muito bem o experiente quinteto russo. Afinal de contas esta é uma banda que já anda por aí desde 1994 e conta com mais de uma dezena de discos no seu currículo. Apesar de poucos conhecidos para lá da antiga “cortina de ferro”, os Pushking parecem ser uma espécie de Queen, AC/DC e Deep Purple numa só banda.
Este colossal projecto – “The World As We Love It…a Rock and Roll Journey” – demorou cinco anos a gravar, com resultados que são no mínimo desafiadores. Uma autêntica ópera-rock que promete encantar todos os que gostam de uma boa rocalhada dos bons velhos tempos. De destacar logo cinco temas que nos chamam à atenção. Primeiro o boogie, “The Nightrider” com Billy Gibbons a perfumar os gélidos russos com o seu charme texano. Não menos secundado pelo aterrador Alice Cooper que faz de “Troubled Love” uma canção muito sua.
Depois vem o pomposíssimo “Cut the Wire” em que o vocalista Konstantin “Koha” Shustarev tem o seu sonho personalizado de fazer um dueto com o eterno “Starchild”, Paul Stanley.
Com muita classe aparece o “workaholic” Glenn  Hughes que empresta os seus dotes vocais à soul de “Tonight”.
Mas sem dúvida que a canção mais interessante é o emocional “My Reflections After Seeing the Shindler´s List Movie” que contem uma parte contada em russo. E acreditem que complementada com a guitarra do mago Steve Vai por trás, a língua de Dostoievski não soa nada mal aos ouvidos ocidentais.
Com tanta estrela, o problema mesmo de tal empreitada sonora é que ninguém a vai comprar porque vivemos num mundo cada vez mais louco em termos económicos, sociais e até mesmo musicais. A máquina substituiu a alma e apenas alguns audazes de alguma nostalgia Rock é que vão abraçar um disco monumental e que se tivesse disco editado à 30 anos teria sido maior que o “Thriller”.
(8/10)

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