Formados em meados dos anos 90, na Península de Wirral (algures do Noroeste de Inglaterra), os The Coral são uma das melhores bandas provindas da “grande Ilha”. Influenciados pelo movimento “psicadélico” dos anos 60 e com alguns laivos de “folk-rock” dos anos 70, o grupo tem tido desde há uma década um enorme papel na chamada “cena rock de Liverpool” (que tem florescido graças ao sucesso de grupos como os Zutons ou os Rascals).
Confrontados há dois anos com a saída do fundador Bill Ryder-Jones, o grupo decidiu continuar as suas actividades embora não substituindo o seu ex-guitarrista. De sexteto a quinteto, os The Coral editam agora o seu quinto disco de estúdio:“The Butterfly Effect”. Uma colecção eclética e inspirada de novos temas, que o grupo trabalhou com o afamado produtor John Leckie (Stone Roses, Radiohead, Muse, etc).
Gravado aos bocados e sem pressa, entre o País de Gales e Londres, “a companhia” comandada pelo guitarrista e vocalista James Skelly, tem aqui um dos melhores trabalhos de carreira e um dos melhores momentos musicais de 2010 provindos da “terra de Sua Majestade”. Um entusiasmo partilhado também pelo público e pela crítica. Estes rapazes já mereciam.
Porque ouvir um disco dos Coral é como entrarmos numa “máquina do tempo”, há aqui um sentido de” familiaridade” inescapável, embora com um som mais refinado e trabalhado (os estúdios de hoje já não são os mesmos de 1970). Mas há aqui elementos que decididamente fazem lembrar a folk de Nick Drake, dos Pentangle ou da Incredible String Band (escute-se “Falling All Around You” e “Walking in the Winter”). Complemente-se isto com alguns ecos com o rock californiano de uns Crosby, Stills, Nash & Young (“Butterfly Effect” e “1000 Years”) e temos aqui algo verdadeiramente mágico.
Suspeito que o grupo também deve ter andado a ouvir o catálogo dos Byrds e dos Love (vejam “She´s Coming Around”). Mas as “pérolas” continuam a aparecer (oiça o misterioso “Coney Island”) à medida que vamos desbravando este mar de bom gosto e arranjos psicadélicos “à là Sgt. Pepper”. A propósito de “Fab”, são inevitáveis as constantes intromissões “beatlescas” que os Coral fazem na sua música embora haja aqui uns pingos surrealistas de “Syd´s Pink Floyd. O tema que finaliza o disco – “North Parade” – é um claro exemplo destas influências.
Embora haja aqui alguns momentos menos interessantes como “Roving Jewel” (que soa a uns Smiths num dia desinspirado) e “More Than a Lover” (que faz lembrar descaradamente os Verve de Richard Ashcroft), no geral, os The Coral fazem um disco acima da média dos seus congéneres, cruzando harmoniosamente os “ecos do passado” com as “sintonias do presente”. A continuarem assim não vão ter problemas num futuro longínquo musical.
(8/10)










