Quando começaram a gravar em finais de 1969 o disco que viria a ser “Cosmo´s Factory”, os Credence Clearwater Revival já tinham imposto as suas credenciais na indústria Rock. Quatro discos de platina, digressões esgotadas e a América aos seus pés. Provavelmente nesta altura do campeonato eles eram: a melhor banda da “geração Woodstock”…que não consumia drogas!
Sempre certinhos, mas com um timing sónico impecável, os Credence tinham em John Fogerty o seu “Brian Wilson”. Um compositor “nato” para temas orelhudos, mas com grande sentido de Rock n Roll (puro e duro) e que durante cinco anos dominou por completo as tabelas de vendas dos dois lados do Atlântico.
Porém o sucesso, era feito á custa de muito trabalho. Com os Credence não havia tempo para “Sexo e drogas”. O “Rock n Roll” era tudo que interessava aos irmãos guitarristas Tom e John Fogerty, ao baterista Doug “Cosmo” Clifford e ao baixista Stu Cook. As digressões pareciam não ter fim. E quando não andavam na estrada, havia que ensaiar (afincadamente) e gravar uma média de dois álbuns por ano!
Uma metodologia de trabalho que resultou em pleno durante quase 7 anos, mas que acabaria por vergar o grupo ao cansaço e seria a razão do fim da banda em 1972.
No entanto dois anos antes, os Credence estavam “em brasa”. O “capataz” Fogerty aproveitava uma pausa nos palcos para obrigar os seus companheiros a ensaiar todos os dias num armazém em Berkeley (perto de São Francisco). As sessões eram tão intensas musicalemente que Clifford começou a apelidar o velha sala de ensaio de: “Fábrica”!
E lá foram os “operários” Credence: produzir. Trabalho, trabalho e mais trabalho! Foi assim que nasceram 11 exemplares canções para se consumir enquanto se atravessas as auto-estradas americanas. Estado a Estado. Motel a Motel. Do Luisiana ao Texas. Do Alabama ao Maine. Do Kansas à Califórnia. Da Florida ao Illinois.
Para se gostar de ouvir os Credence há que deixarmo-nos levar pelo espírito “Americana”. Só assim faz sentido ouvir o Rock dos anos 50 (com algumas influências a Little Richard) de “Travelin´Band”; as guitarras que ecoam a armas de destruição da guerra do Vietname em “Run Through the Jungle”; o riff magnífico talhado á medida dos camionistas das highways de “Up Around the Bend”; o consumo de drogas travestido de música country (simpática) em “Lookin Out My Back Door” ou uma eficaz descrição do Woodstock (no qual eles tocaram) em “Who´ll Stop the Rain”. Um pequeno microscópio sobre a América…
Argumentos mais que suficientes para constatarmos que a “fábrica” tenha produzido uma série imparável de êxitos. Mas há ainda que mencionar dois momentos que dão a este disco um carácter “robusto”. Primeiro a cover de 11 minutos “Smokey Robinson – “I Heard it Through the Grapevine” e o magnifico roqueiro “Ramble Tamble”. Agora já se percebe de onde é que grupos como os Kings of Leon vão buscar as suas influências.
Um disco magnífico e que ainda funciona como uma máquina (bem oleada) de produção de êxitos!
(9/10)










