Sunday 28th April 2013,
Som Alternativo

Santana – “Abraxas” (Columbia, 1970)

André Sousa 27 de Novembro de 2009 Good Old Music, Santana 1 Comentário
O “Rock Latino” se existe no “mapa mundi” dos estilos musicais, muito o deve aos Santana! Saídos vitoriosos de uma exibição arrebatadora durante o Festival “Woodstock” de 1969, o grupo liderado pelo guitarrista mexicano Carlos Santana, conseguiu nesse dia o que muitos conterrâneos seus não tinham alcançado: a aceitação do público branco! Nascia assim, o “Chicano Rock”, que fazia a fusão perfeita entre os ritmos latinos e os blues e jazz norte-americanos. A “fronteira” entre o Texas e o Novo México nunca mais voltaria a ser a mesma…
Embalados pelo sucesso do primeiro disco, a banda (multi-cultural) complementada pelo teclista Gregg Rolie; o baterista Mike Shrieve; o baixista David Brown e a “trupe” de percussionistas José Áreas , Rico Reyes, Mike Carabello atirou-se furiosamente ao trabalho em estúdio durante a Primavera de 1970.
O resultado foi “Abraxas”, nome retirado da obra de Herman Hesse, “Demian” e com origens no Gnosticismo (“sabedoria de carácter intuitivo e transcendental”). Um disco, que provavelmente é o melhor que (e desculpem-me os milhões que compraram “Supernatural”) alguma vez Carlos Santana ofereceu ao Mundo! Ou como disse uma vez o seu amigo Eric Clapton, “no que toca à espiritualidade da guitarra, o Carlos é o melhor”!
E é essa precisamente essa “a mensagem” que passa em todas as “notas” emanadas de “Abraxas”: uma justaposição de vários sons e culturas do passado, bem cozinhados e transportados para a cultura Rock da geração hippie!
Oiça-se por exemplo, o jazzy cósmico “Singing Wings, Crying Beasts”, com Santana a debitar poucas mas preciosas notas da sua Gibson SG conferindo um efeito quase esotérico ao tema. Mas é com o mini-medley “Black Magic Woman/Gypsy Queen” que o disco se torna verdadeiramente: “caliente”! O grupo transforma este original de Peter Green dos Fleetwood em algo muito para lá dos Blues. Uma festa da “Latinidade” que tanto convida a um “pézinho de dança”, como a uma trip de “LSD”!
Segue-se a re-interpretação de outro “clássico” mas desta vez com raízes bem Latinas – “Oye Como Va” – do maestro Tito Puente! Uma obra prima semi-instrumental que vai beber ao “caldeirão das influências” “cenas” como Jazz de Coltrane, o Rock Psicadélico e os ritmos cubanos.
O grupo aparece mais coeso que nunca numa autêntica perseguição e construção por vários ambientes sonoros. Da“desbunda jam session psicadélico-tropical” (“Incident at Neshabur” ou “Se a Cabo”), resvalando também para as baladas de baile de liceu (“Samba Pa Ti”) ou para um Rock pesado à moda dos Iron Butterfly (“Hope You´re Feeling Better”), os Santana sem o saberem: já estavam a fazer “História”!
Pena é que esta formação de músicos só se tenha aguentado um par de anos. A “fome” de Carlos Santana em se afirmar como líder do grupo, não só destruiu o espírito democrático (mas caótico) da banda, como aos poucos os levou para outros caminhos (musicalmente) menos interessantes. Serve de consolo que enquanto durou, os Santana foram das melhores bandas  a aparecer na transição dos radiosos anos 60, para os mais  obscuros e problemáticos anos 70 . Um disco obrigatório e “mucho calieeeenteeeee”!!

(9/10)

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1 Comentrio

  1. Refugee 27 de Novembro de 2009 at 22:20

    Gosto mais do Santana III

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