Os Muse estão a ficar maduros. Além disso, estão a ficar cada vez mais ambiciosos no que respeita às suas actuações ao vivo. Ontem, perante um Pavilhão Atlântico “à cunha”, a banda liderada por Matt Bellamy deu um excelente concerto recheado que fez recordar os efeitos de luzes dignos de uns Pink Floyd e músicas majestosas à moda de uns Queen!Eram precisamente 21 e 15 e já lá está a batida hipnótica de “Uprising”, o tema que abre o novo álbum “The Resistance”. A surpresa é que os Muse desta vez não fazem uma entrada convencional em Palco. Eles (quais “Deuses” do Rock) estão bem lá em cima em três plataformas elevatórias evidenciando cada um dos músicos. O público na plateia, habituado a não ver claramente este tipos de concertos agradeceu…
Matt Bellamy é o que mais se destaca, obviamente. A sua postura “semi-alienígena” (usando uns óculos muito “sci-fi”) continua a encantar. Ele é a voz, o compositor e o cérebro por detrás desta “operação sonora” que se tem dedicado não só a ressuscitar o legado dos “dinossauros” do passado (não faltou a reverência aos Led Zeppelin quando improvisaram o riff de “Heartbreaker”), como quer competir com todos os “U2”´s do presente! A ajudá-lo, dois músicos muito competentes e quiçá injustamente esquecidos no meio da parafernália: Chris Wolstenholme no baixo e Domenic Howard na bateria.
Instala-se o clima de apoteose. O grupo ataca logo de seguida “The Resistance”, que tal como outros temas do novo álbum (que é por sinal: o mais fraco dos cinco originais de estúdio) soa muito melhor ao vivo que em estúdio. Com uma atitude pomposa e descaradamente arrogante, os Muse fazem um óptimo trabalho em resgatar canções que duvido muito que sobrevivam muito para lá da presente digressão. É o caso “MK Ultra”; “Undisclosed Desires” ou “Unnatural Selection”.
Brilham mais alto as velhas canções. A progressiva “New Born” arranca os primeiros saltos na plateia. “Map of the Problematique” introduz alguns “Coldplayismos” pop no som, para júbilo de adolescente. E “Supermassive Black Hole” põe toda a gente a cantar em uníssono o refrão revelando o lado mais “sexy” da banda de Teignmouth.
O concerto segue em “direcção às estrelas” com “Hysteria” do excelente “Absolution” e já com Bellamy ao piano tocam aquela música que os Queen se esqueceram de compor: “United States of Eurasia”. Aqueles coros” semi-operáticos” não enganam nem os mais desatentos!
Mas a única “cover” tocada ontem á noite não pertence à banda de Freddie Mercury. O jazzy “Feeling Good” foi gravado em 1965 por Nina Simone e recuperado por Bellamy em 1999 porque era uma das músicas preferidas da sua mãe. Tudo bons “rapazes”…
Na recta final trazem a vitoriosa “Starlight”, talvez o seu maior êxito radiofónico de sempre e a roqueira “Plug in Baby” com alguns excelentes solos de guitarra pelo meio.
E porque o tempo deles estava literalmente a acabar, veio o apropriado: “Time is Running Out”. A festa estava no seu auge e o povo presente pedia por mais. A banda é que já dava sinais de que não haveria espaço para muito mais.
Regressaram para um encore, começando as honras com o seu “tributo” à moda do Rock Progressivo – “Exogenesis: Symphony Pt 1: Overture” – pena que não tenham tocado a sinfonia completa (que ronda os 12 minutos). Teria sido um momento arrojado e digno de memória.
Preferiram não “arriscar” e foram até ao épico “Stockholm Syndrome”, um dos melhores momentos musicais de sempre dos Muse. E claro, não podia deixar de faltar o clássico: “Knights of Cydonia” com Bellamy a demonstrar porque é que ao final de quase duas horas ainda é: o melhor cantor de “falsetto” da cidade!
Já com as luzes acesas e depois da fumarada, houve quem se queixasse que podiam ter tocado mais duas ou três. Certamente que faltaram outras pérolas (“Bliss” e Muscle Museum” ou “Sing for Absolution)”, mas o que é certo é que os Muse a cada vinda a Portugal vão somando cada vez mais legiões de fãs, não tardará muito para que sejam “convidados” a tocar num estádio perto de nós.



















ma friend. falaste e muito bem. ganda concertão!!! jcruz
Não achei que fosse um grande concerto. MAs ainda bem que não fui o sentimento geral…..