FLEETWOOD MAC – OS PURISTAS DOS BLUES (1967 – 1970)
Antes dos anos de sucesso com os colossais “Rumours” e “Tango in the Night” os Fleetwood Mac eram uma banda diferente e para melhor. Enganem-se os que pensam que a voz delicodoce de Stevie Nicks ou as guitarras country de Lindsay Buckingham estiveram lá desde o início. Quando o par se juntou ao grupo os Mac já levavam quase uma década de carreira.
Nos finais de 1967, os “Fleetwood Mac” (junção dos dois apelidos da secção rítmica: Mick Fleetwood e John Mcvie) era antes demais os “Peter Green´s Fleetwood Mac”. Guitarrista dotado e um verdadeiro purista dos Blues fez com que John Mayall, “líder da maior escola de “Blues Rock do Planeta” – os Bluesbreakers – vislumbrasse nele uma aura de genialidade convidando-o a substituir as pegadas de outro génio dado pelo nome de Eric Patrick Clapton.
Green tinha estilo a tocar, cantava bem e era um compositor imaginativo. Contudo não se sentia muito confortável sob o foco das luzes da ribalta, por isso decidiu adicionou outro guitarrista ao conjunto – Jeremy Spencer – para dividir as atenções.
O pequeno (em estatura) Spencer era não só um dos mais dotados guitarristas slide de Inglaterra como trouxe ao grupo outros sons que embora tivessem a sua raiz nos blues davam uma maior amplitude ao repertório do grupo: o rockabilly; o gospel; o doo-wop e o rock n roll primitivo.
“Peter Green´s Fleetwood Mac” e “Mr Wonderful” lançados em 1968 estabeleceram os Mac na primeira liga das grandes bandas emergentes do “British Blues Boom” que além de agradar aos puristas, piscava um olho ás novas gerações que em breve consumiriam em massa os discos “hard” de bandas como os Led Zeppelin; Deep Purple ou Jeff Beck Group. Os sucessos radiofónicos como “Need Your Love So Bad”, “Man of the World” ou “Black Magic Woman” (regravada uns anos depois por Carlos Santana) elevavam ainda mais o estatuto do grupo.
Entretanto, á medida que a escadaria do sucesso ia subindo, mais perto se começava a desdenhar o início do fim. Com um equilíbrio psicológico frágil, Peter Green começava a ter medo do seu próprio sucesso. O receio de estar constantemente no centro das atenções consumia-o proporcionalmente ao crescimento além fronteiras dos Mac.
Talvez por isso, o grupo tonou-se num dois dos primeiros da história a ter guitarristas solo. Danny Kirwan tinha apenas 18 anos quando se juntou á banda. O seu estilo harmónico de solos e as suas boas habilidades de composição abrilhantavam ainda mais o som. A sua estreia coincidiu com a gravação do clássico “English Rose” onde “o puto” dava autoria a um terço do álbum.
Saído no início de 1969, “English Rose” continha aquele que ainda é considerado por muitos, a obra prima dos FM: “Albatross”. Este “instrumental sonhador” merece por si um lugar na história por ter sido uma das raras músicas não vocais a chegar ao “número 1” em Inglaterra.
Em 1970, os Fleetwood Mac estavam no chamado “topo do mundo” e ninguém imaginava que a queda lá do “sétimo céu” pudesse ser tão grande. Depois da saída do roqueiro “Then Played On” e do “segundo nº 1” com “Oh Well”, Peter Green anunciava a sua saída após a digressão norte-americana. Porém antes da separação ainda gravou com os seus companheiro outro clássico intemporal do rock: “The Green Manalishi”. Uma despedida em grande, mas que não chegava para afastar “as nuvens negras”.
Green tornou-se num “recluso do mundo”, problemas mentais e financeiros fizeram com que desperdiçasse uma carreira que se vaticinava como fulgurosa. O seu horrendo álbum a solo “The End of the Game” não podia ter um título mais apropriado.
Não menos errática foi a carreira do resto dos Fleetwood Mac. Jeremy Spencer desaparecia em menos de um fósforo para aderir á seita “Children of God” e Danny Kirwan era expulso no ano a seguir com problemas relacionados com a droga e álcool. Até há poucos anos era comum encontrá-lo a pedir nas ruas de Londres.Sobravam Mcvie e Fleetwood que após anos de travessia do deserto e com uma série de mudanças de formação iriam transformar os Mac num dos maiores grupos comerciais do mundo. Mas isso já são outras núpcias. Para muitos os verdadeiros anos de ouro continuam a ser “a fase Peter Green” que num curto mas brilhante espaço de tempo deixou um enorme legado para a história do Rock e dos Blues!














Tens de investigar a fase Peter Green! São uma das melhores banda de blues de sempre
Pois já estava a estranhar. só conheço o período da Stevie Nicks. Antes disso nada….