Após a saída de Syd Barrett, em Abril de 1968, os Pink Floyd iniciavam um período de auto descoberta e divagação sónica, rumo a novas pastagens musicais. O grupo, após alguns singles falhados, nomeadamente “Point me at the Sky” e “it Would be So Nice”, os Floyd abandonavam por completo quaisquer tentativas de compor hit singles e concentravam-se na construção de álbuns O primeiro trabalho pós-Syd apareceu sob a forma de banda-sonora do filme More, realizado pelo francês Barbet Schroeder.
Ao mesmo tempo que o Psicadelismo era substituído pelo Progressivo no final da década de 60, os Floyd marcavam o compasso da mudança. “More” representava um casamento perfeito entre a banda mais vanguardista do momento e um dos realizadores mais talentosos da sua geração.
A variedade musical do álbum torna-o um dos mais aventureiros do grupo. Ainda hoje surpreende quem o ouve. Existem canções perto do Heavy Metal, como “Ibiza Bar” ou “The Nile Song” rivalizam com qualquer riff pesado produzido pelos Nine Inch Nails ou Monster Magnet. Há espaço para temas mais acústicos e delicados como “Crying Song” ou “Green is The Colour”. E também cabem alguns desvaneios espaciais como o delirante “Cirrus Minor” e o pseudo Moody Blues em “Cymbaline”. Cadências de acordes menores associados á voz adocicada de David Gilmour (que canta todos os temas) produzem uma melancolia impossível de escapar.
Sendo um álbum de banda-sonora, o realizador exigiu para além de canções “convencionais” algumas peças instrumentais para acompanhar algumas sequências do filme. O enigmático “Main Theme”; o aterrador “Quicksilver”; o mórbido “Dramatic Theme” ou o sonolento “More Blues” acabam por funcionar como escapes sonoros que acompanham na perfeição o mergulho do jovem alemão Stefan até aos meandros da droga. Uma viagem pelos meandros da comunidade hippie americana com a ilha de Ibiza como pano de fundo.
Este “encontro” feliz com o cinema, fez com que o grupo embarcasse numa série de outros projectos cinematográficos nos anos a seguir. Mas como mais tarde iriam descobrir, o prazer de compor para realizadores avant-gard teria um preço. “More” seria a primeira e a última experiência bem sucedida com a 7a Arte.
(7/10)



















Gosto muito do More, como aliás todos os álbuns dos Floiyd. More marca uma transiçãoporque contém psicadelismo dos Cream e de Jimi Hendrix Experience, e os prórpios Floyd irão buscar mais tarde aqui algumas marcas. Apesar de muitas críticas o Obscured by Clouyds também é um óptimo álbum, só que o La Valée não foi tão bom quanto o More. No entanto foi mau da parte deles ignorarem tantas boas músicas que tinham e podiam vir buscar a estes dois álbuns.