Tuesday 11th June 2013,
Som Alternativo

“Music & Lyrics (DVD, Dir. Mark Lawrence, 2007)

André Sousa 22 de Março de 2007 Notícias 3 Comentários

Há alguns meses estive a visionar o DVD do Live Aid de 1985 e fiz o seguinte exercício: quantos artistas que estavam na moda naquela altura passaram ao anonimato, acabados os seus 15 minutos de fama? O que é feito dos Spandau Ballet? Dos Ultravox? Do Nik Kershaw? Do Limalhl? Do outro gajo que cantava com George Michael nos Wham? O que é feito de todas aquelas bandas com penteados horrorosos e um sentido de moda deprimente, mas com um sentido de musicalidade instantânea que entrava por um ouvido e saia por outro? A década de oitenta foi pródiga em criar sonhos pop descartáveis, fáceis de consumir como uma Chiclete: “mastiga…deita fora se demora”.
O revivalismo made in 80´s chega também aos ouvidos de Hollywood. Em 2007, aparece “Music and Lyrics” um filme que tenta explorar a ideia sobre o que é feito todas aquelas pseudo estrelas que tiveram um êxito e desapareceram do mapa: os “Has-Beens”.
Hugh Grant faz o papel de um “Has Been”, “Alec Fletcher”, ex-membro da banda “Pop” que tiveram um sucesso avassalador na década de oitenta com o hit “Pop, There Goes My Heart”. O filme abre precisamente com o teledisco da banda de Fletcher, onde são representados todos os clichés dos telediscos da época. Roupas extravagantes (chumaços por amor de Deus), os penteados descabidos (não esqueceram a franjinha e a poupa emproada) e as danças coreografadas para o desastre cénico! Parece um vídeo clip do melhor (ou pior) que os Wham produziram na fase de “Wake Me Up Before You Go Go”. Ah e não esqueçamos os sintetizadores farsolas.
Verdade seja dita, a banda fictícia parece ir buscar muito ao duo liderado por George Michael. As roupas, as coreografias, o ar romântico e sobretudo a figura do “Has-Been” Andrew Ridgeley, o tal que ninguém se lembra hoje em dia e que vendeu milhões enquanto membro dos Wham. Tal como Ridgeley na vida real, o personagem de Grant também foi “traído”, quando o vocalista dos Pop decide partir para uma lucrativa carreira a solo. Passados 20 anos do sucesso ocasional, Fletcher vê-se obrigado a cantar em feiras e festas revivalistas. No meio da sua existência miserável de ex-pop star, conhece a multi-platinada Cora (Haley Bennet), uma rival de Britney Spears e Shakira que lhe lança o desafio de escrever uma música para ela. Vendo nisto a oportunidade de salvar a sua carreira, o embaraçado Fletcher vê-se e no meio de uma maratona de (trans) inspiração acabando por achar uma letrista á pressão chamada Sophie (Drew Barrymore).
O filme acaba mesmo por não evitar o habitual descambanço para o género da comédia romântica que Hugh Grant se especializou, ainda assim contém alguns bons gags capazes de arrancar aos melómanos dos 80´s umas gargalhadas.
Curiosidade das curiosidades, Grant não se safa mal como cantor (teve a preciosa ajuda de Martin Fry, vocalista dos ABC) e a banda sonora do filme já um sucesso de vendas nos E.U.A. e Japão. Nada mau para um actor que disse que detestava cantar…

(7/10)

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3 Comentrios

  1. André Sousa 23 de Março de 2007 at 11:53

    Curse of Millhaven

    Os fenómenos revivalistas dão-se de 20 em 20 anos! A Nostalgia vende porque a maioria das pessoas com poder de compra (vulgo trintões e quarentões) adoram recriar os saudosos tempos da juventude!
    Tenho a certeza que o mesmo vai acontecer comigo lá para 2011 (já só faltam 4 anos…estou velho) quando vier o revivalismos dos 90´s com toda a parafernália de bandas neo-grunge; filmes sobre o Kurt Corbain e as camisolas á pescador!
    Em relação aos Anos 80, em termos estéticos foram sem dúvida a pior das décadas em termos de moda e estilo! Ainda assim houve muito boas bandas que perduram ainda hoje em dia! Police; The Cure; REM ou U2 ainda estão para as curvas.
    Vai ao Toquio (no Cais do Sodré) 6as feiras e sábados aquilo está a bombar!

    PS: Caro Martim ainda havemos de ver um filme inspirado nos Europe! Eheheheheheh…

  2. Absolutmartim 22 de Março de 2007 at 22:00

    Hello:

    É normal que os dois te tenhamos deixado curiosa…será que é por termos sensivelmente a mesma opinião? A verdade é que a parte que me fez rir mais no filme foi precisamente o clip ‘Pop Goes My Heart’: simplesmente genial.

    A mesma opinião…a mesma nota…será que vimos o filme na mesma sala? Na mesma fila….??

    AH: nota muuuuuito negativa para vários erros (ENORMES) de racord (axo que é assim que se escreve), e ainda por cima quase todos na mesma cena…miservável. Nem consegui prestar atenção aos diálogos…enfim.

  3. curse of millhaven 22 de Março de 2007 at 21:03

    ok andré talvez tu me compreendas: porque razão hoje os anos 80 são repescados para uma série de coisas, inclusivamente na moda? já faltou mais para revermos os chumaços nos ombros d muito boa gente. definiste mt bem os anos 80, foram ferteis sucessos tão instantâneos como efémeros. algumas boas bandas ainda são hoje enormes, como uns echo and the bunnymen ou uns the cure, apesar d eu pessoalmente n gostar mt destes ultimos. mas fez-se muita foleirada…
    tanto tu como o absolutmartunis me deixaram curiosa acerca desse filme.

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