Sunday 09th June 2013,
Som Alternativo

Crítica: Derek and the Dominos – “Layla and other Assorted Love Songs (Atlantic,1970)

André Sousa 12 de Fevereiro de 2007 Críticas, Eric Clapton, Good Old Music 2 Comentários

Terminado os anos sessenta em super-grupos como os Cream ou os Blind Faith, Eric Clapton entrou na ressaca dos anos 70 com um vício imparável em Heroína. À época Clapton, o “God” da guitarra dava-se ao luxo de gastar 1000 libras em drogas que por pouco não fizeram juntar ao amigo Jimi Hendrix no Hall of Fame das “Dead Rock Stars”.
Desejoso de se afastar das luzes da ribalta, Clapton ingressou por alguns meses, como guitarrista secundário da banda “Delaney & Bonnie & Friends” a qual viria constituir o núcleo duro dos Dominos: Jim Gordon (bateria); Carl Radle (Baixo) e Bobby Whitlock (teclas). Longe das guitarradas dos Cream, Clapton rumava para água mais calmas como o álbum “Music from the Big Pink”, dos “The Band” a servir de inspiração sonora.
Sob o nome inicial de “Eric & the Dynamos” a banda começou a gravar com o lendário produtor Tom Dowd nos Criteria Studios em Miami. No entanto as primeiras sessões tornaram-se infrutífera. Faltava um ingrediente extra para apimentar o projecto. Encontram-no em Duanne Allman, guitarrista slide dos então semi-desconhecidos “The Allman Brothers Band”.
A técnica de Allman veio dar um novo estímulo á guitarra de Clapton. O tema título – “Layla”-, contem um dos riffs mais espectaculares da história do rock, que elevava ao sétimo céu esta nova dupla criativa. A canção ficou ainda mais lendária, por ser dedicada a Patti Harrison, (mulher do ex-Beatle George), do qual Eric Clapton estava perdidamente apaixonado. Os “sentimentos de culpa” de estar a trair o seu melhor amigo fizeram com que Clapton abordasse o tema em “Have You Ever Loved a Woman” um cover de Billy Myles mas que Clapton rescreveu com a seguinte frase: “ Have You Ever Loved a Woman that´s its a shame and a sin…Yes You Know That´s She´s in Love With You Best Friend…”.
O álbum ameaçava tornar-se uma verdadeira ópera de “desgostos amorosos” ao jeito dos Fleetwood Mac, mas Clapton e companhia conseguiram transformar as restantes “Assorted Love Songs” em algo mais criativo. A começar pelo calmo “Bell Bottom Blues”, um tema que ajudaria a definir o som de álbum posteriores do Clapton a solo e mais virado para o comercial. Os roqueiros “Anyday” e “Keep on Growing” com Allman e Clapton em plena aventura pelas cordas das Fender Stratocaster. O piscar de olhos ao country rock em “I Am Yours” ou “I Looked Away”. Mas o ponto verdadeiramente do grupo, vem da recriação de outros autores: o sensível “Little Wing” de Jimi Hendrix; o rock á moda antiga de “Key to the Highway” de Willie Broonzy e os blues sofridos do Mississipi em “Nobody Knows When You´re Down and Out” de Jimmie Cox. A variedade
Nota-se perfeitamente que Clapton deixa os seus músicos á vontade, não impondo regras rigidas nas composições, nem direcções musicais. Esta atmosfera descontraída entre os músicos aliás é um dos factores que faz deste álbum um todo coerente.
Infelizmente a química presente no disco não durou mais do que as sessões em Miami e uns breves concertos ao vivo. Nos anos seguintes Clapton pôs a guitarra de lado e dedicou-se a uma vida de luta contra a Heroína. Chegou a andar nas ruas da amargura e foi só quando o amigo Pete Townshend dos The Who lhe organizou um concerto em sua honra (o “Rainbow Bridge Concert” de 1973) é que o homem voltou a despertar para o mundo e para uma carreira aclamada até hoje.
Menos sorte tiveram os seus companheiros. Allman morreu num acidente de viação em 1971. Radle morreu de overdose em 1980. Gordon foi internado num manicómio. Sobreviveu o calmo Whitlock, autor e cantor da canção final do álbum, o acústico “Thorn Tree in the Garden”. Um verdadeiro clássico em todos os sentidos…

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2 Comentrios

  1. André Sousa 15 de Fevereiro de 2007 at 22:20

    Obrigado Attirock! Volta quando quiseres…és sempre bemvindo!
    Para mim este disco fio mesmo a última pérola da carreira de Eric Clapton!

  2. AtticRock 15 de Fevereiro de 2007 at 20:01

    Olá
    É realmente um clássico, para mim a melhor coisa onde o Clapton esteve envolvido.
    Gostei de descobrir o teu blog, bom trabalho!

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